Presença_de_Anita1

Ontem a Rede Globo apresentou em formato de longa-metragem compilado a minissérie Presença de Anita. Quando foi exibida na íntegra, se não me engano no ano de 2000, eu assisti, mas não segui completamente perdi muitos capítulos e não vi o capítulo final. Depois disso, na época de faculdade, adquiri o DVD e assisti por completo. Na reprise de ontem, resolvi assistir novamente e surgiu a ideia de escrever esse texto.

O que me chama a atenção em Presença de Anita é o viés literário dado à trama. O texto, o roteiro é muito bom. A atuação dos atores nem tanto. Uma Mel Lisboa em começo de carreira, meio forçada, mas que o olhar seduz e se marca como Anita, já basta. Escrita por Manoel Carlos numa adaptação do romance de mesmo nome de Mário Donato, cada cena, cada intersecção dos acontecimentos são bem amarrados e compartilhados. O viés literário é dado por elementos cênicos como a estatueta Conchita, o quadro de Anita pintado por Armando, o isqueiro de Fernando Rangel, e tantos outros.

Cada acontecimento gera um percurso de sentidos, usando-se da teoria semiótica do texto, que traz tensões e pulsações ao espectador. Suspense, encanto, sexualidade e muita sexualidade! Olha que o ponto negativo seria esse, muita pornografia e cenas picantes demais, mas que muitos gostam, ah se gostam! Porém mesmo com o uso de tanto erotismo a discussão sobre a sexualidade é muito perspicaz e eu diria que é até um romance a ser analisado no viés Freudiano: uma menina adoecida sexualmente, molestada, infância roubada, louca, cruel, mas apaixonada. Até onde pode-se chegar o amor? Até onde pode-se misturar sexo e amor? Convenções sociais e sentimentos humanos confusos e aí vem a teia autoral de Fernando, o Nando, mostrando a Literatura ainda mais viva como sendo esta a interpretação da realidade humana numa construção simbólica pelas palavras, pois diz Anita: Tudo está escrito!

É tão envolvente a minissérie que depois da exibição eu fui tomar banho e quando saí do banheiro minha irmã estava na cozinha e eu sem ver quem estava lá fiquei meio perturbado: seria um ladrão, um espírito, seria Anita? Por isso é um texto literário, extremamente literário, pois envolve, seduz, gera a catarse, a mimese (representação da realidade) e os sonhos, êxtases da alma, porque há a Presença de Anita, e ela, e nós, e todos só pedimos uma coisa quando amamos: Não me deixe!

anita2

Anúncios