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O que é preciso para ser um bom fotógrafo? Pergunta básica, dicas chovem por aí. Porém, fomos buscar uma pessoa de sensibilidade aguçada, simples, alegre, espontânea para nos dizer o que pensa sobre a arte da fotografia que a cada dia sofre mais e mais as influências do avanço surpreendente da tecnologia.

Para José de Paula Silva, professor da Fundação de Ensino Superior de Passos (FESP/UEMG), esta é uma pergunta excelente, e para respondê-la ele cita o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson. “Ele diz que a fotografia é quando você alinha o Cérebro, o Olho e o Coração. Então para ser um bom fotógrafo, você tem que ter conhecimento, estude fotografia! Ansel Adams, fotógrafo americano escreveu uma trilogia cujos títulos são: “A Câmera”, “O Filme” e “A cópia”.  Ao dominar os princípios da fotografia você passa a pensar como um verdadeiro fotógrafo. A parte do cérebro está aí. Em seguida estude composição e linguagem fotográfica, aprenda a ver antes de fotografar, forme a imagem antes do “click”. Esta é a parte do olho. Sobrou o coração, aí está o seu interior e, portanto, não tenha lições. Mas uma coisa é importante: a fotografia deve falar por si mesma, se ela conseguiu isso, o coração está presente. E por fim, pratique. Pelo menos você poderá dizer ao fotografar: ‘eu sei o que estou fazendo’”, faz as sugestões José de Paula.

Versátil e eclético – seria assim que poderia ser definido o professor universitário – que além da fotografia acumula outros talentos, desde uma didática fabulosa ao encantar os alunos até o humor, a sensibilidade em seus diálogos e conversas sempre valorizando o lado do outro, o que o outro tem de melhor.

Talvez seja por isso que suas fotografias – algumas delas ilustram essa página – desarmam nossa alma por meio de cores, leveza e mínimos detalhes reunindo todas as qualidades técnicas de uma boa fotografia e que para percebê-las nem precisa ser entendido da arte fotográfica.

Foi assim que alguns prêmios já começaram a ser acumulados por José de Paula. Sempre modesto, ele destaca três: o primeiro lugar no concurso da Olympus do Brasil, cujo tema e título foram “Viva, Curta, Click”; finalista da quarta seletiva do concurso Paisagens Mineiras em 2013, com a foto “Pico do Itacolomi e Igreja das Mercês”, promovido pelos Diários Associados, TV Alterosa e Jornal o Estado de Minas, no qual repetiu a dose na edição de 2014 e foi o vencedor na categoria Cidades Históricas com a foto “Santuário da Penha e Chapadão da Babilônia”.

Ele se diz apaixonado pela fotografia desde a juventude. “A minha geração foi da fotografia analógica, então comecei a fotografar na adolescência com uma câmera de filme, a primeira ainda com filme 126 (um formato de cartucho para filmes), depois para câmeras SRL com filmes 35mm e finalmente as digitais”, conta ressaltando novamente que a arte da fotografia demanda estudo, estudo e mais estudo. “Fotografia acredito que é isto: você depende de conhecimento, tomada de decisão e executar. Um conselho, não espere “aprender a fotografar” em um curso. Não existe “dicas”, “truques” ou “macetes”. Ou você sabe o que está fazendo, ou não. Outro ponto importante é que a técnica vem acompanhada da prática.  O fotógrafo francês Cartier-Bresson nos deixou várias lições. Mas uma frase dele é super interessante: “As suas 10 mil primeiras fotos serão as piores”. Assim além da técnica, temos que praticar muito”.

José de Paula recebendo o prêmio dos Diários Associados, TV Alterosa e Jornal o Estado de Minas.
José de Paula recebendo o prêmio dos Diários Associados, TV Alterosa e Jornal o Estado de Minas.

Recursos e sensibilidade

Hoje José de Paula usa uma máquina DSRLs da Canon e uma Mirroless Alpha. Na época quando começou era comum a Kodak Instamatic para fazer fotos amadoras. Mas, desse processo que se chama de amador ou iniciação, foi surgindo e se revelando o talento do professor que percebeu que era importante se aprimorar nesse hobby. Só que autodidata, aplicado e curioso ao extremo, não foi preciso fazer nenhum curso formal, mas ele destaca que há excelentes programas de estudo no Brasil. Entre os cursos básicos ele recomenda os cursos do SENAC. “Alguns fotógrafos em Passos inclusive são instrutores do SENAC. Quanto à fotografia profissional (e devemos definir o que é fotografo profissional) existem cursos para cada área de atuação. Existem grandes instituições como, por exemplo, a “Escola de Imagem” ou cursos mais específicos como cursos sobre Flash dedicado, fotos em Still, fotos de New Born, enfim uma variedade de cursos dependendo do que você deseja. Alguns sites disponibilizam aulas como o site da EDUK cujos cursos são gratuitos ao vivo e pode ser um bom começo”, dá a dica.

Paisagens e macrofotografia são suas especialidades. “São extremos, mas são fantásticos. A macrofotografia é mais preparativa, você depende de uma série de coisas, como, por exemplo, o uso de tubos extensores, trilhos de foco, Ring Flash. De qualquer forma tanto a foto de paisagem como macro demandam preparação, e isto é o legal neste tipo de fotografia”, ensina.

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O gosto por fotografia é tanto que diversos grupos em Passos têm se reunindo sempre com a presença de José de Paula para discutir fotografia ou até mesmo praticá-la. Um deles é o Memórias de Passos, que permitiu documentar todo o centro da cidade.

E além de ser um hobby, um gosto pessoal e um entretenimento, José de Paula atesta que a fotografia auxilia muito em sua profissão. “Uso muito a macrofotografia nas documentações de pesquisas científicas, assim todos os projetos de pesquisa acabam necessitando documentação e precisam ser fotografados”.

Alinhar o Cérebro, o Olho e o Coração: e você já começou a colocar tudo em linha reta? Deixe a emoção e comece os primeiros cliques e como aconselha Catier-Bresson na área, só depois das 10 mil fotos começaremos a fazer alguma de valor. Então, vamos fotografar!

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