É inegável que já se vive em Passos novos tempos da cultura, um resgate de iniciativas e outras tantas novas que surgem a cada momento. Passos tem agora um coletivo. Mas o que é um coletivo? Basicamente é um grupo de pessoas que se unem em torno de um objetivo comum e que geralmente são causas nobres como a cultura e a arte. Na última semana o Coletivo NÒIZ e os produtores independentes Pietro Garibaldi e Fabiana Borges promoveram a SEDA – Semana do Audiovisual que é um festival integrado de cinema e linguagens  multimídia, realizado em centenas de cidades no Brasil e América Latina.

As atividades da SEDA em Passos aconteceram entre os dias 26 e 28 de setembro, com um show da banda alternativa Coisa Nostra no Passos Clube que aconteceu na sexta-feira e foi aberto pela banda da cidade Grunhidos de Alá. E muitas outras atrações rolaram no Lady Bug Rock Café e no Teatro Rotary, desde apresentação de poesias com a artista Marise Pacheco até apresentações circenses e claro muito rock, muita música e muita cultura.

O Espaço da Gente conversou com a integrante do NÒIZ Mônica Ash e como a conversa foi tão agradável e cheia de cultura realizada no Café Teatro Chaleira publicamos aqui o bate-papo. Um banho de cultura a todos vocês.

danilo e monica
Um agradabilíssimo papo ente o jornalista do Espaço da Gente Danilo Vizibeli e a integrante do Coletivo NÒIZ Mônica Ash

Como surgiu o Coletivo Nòiz?

Coletivo Nòiz com z, para dar uma sonoridade bem vibrante de “nois” mesmo, de coletivo! O Noiz é um sonho de muita gente, que tava muito separada, na verdade. De um menino que tava fazendo Publicidade, eu que tava perdida lá na Moda. Um outro pessoal fazendo festival punk, sozinhos, ralando. E a gente queria fazer algo que a gente gosta que é a música. Então primeiramente o que nos uniu foi a música. E a gente já conhecia o Grito Rock, que é uma ação da rede Fora do Eixo que acontece há aproximadamente 7 anos em diversas cidades. Esse ano ele aconteceu em mais de 400 cidades no Brasil e também em outros países como Rússia e Estados Unidos. Sempre se ouviu falar deste evento e então pensamos em fazer um Grito Rock em Passos. E por onde começar? “Então nós precisamos nos encontrar nos conhecer melhor, reunir e conversar sobre o assunto”. E surgiu uma pessoa que tinha um vínculo dentro do Fora do Eixo, conhecia como funcionava essa dinâmica, essas linguagens diferentes de trabalho, da união coletiva, da força coletiva, do conjunto de união de ideias para fortalecer uma ação. Ela sabia como trabalhar isso e aí surgiu a decisão de fazer o Grito Rock, que foi realizado em março de 2014.

Quem compõe o Coletivo Nòiz e como funciona a dinâmica de trabalho?

Depois do Grito Rock nós somos 6 pessoas empenhadas, oficialmente. Há outras pessoas que participam e apoiam também. Os integrantes são Barthô Xavier, Gabi Frias, Tainá Reis, Rafael Carvalho, Diego Medeiros e Monica Ash. É uma ideia bem extensa. É uma gestão coletiva. A gente conversa livremente. Cada participante é um membro do coletivo, é um agente, um produtor independente. Mas ele começou com o sonho de pessoas que queriam algo diferente. Porque temos os eventos de Metal que são muito fortes. Só que o Metal não é só uma vertente que temos. Temos várias vertentes das quais gostamos, nós não somos metaleiros. E pensando em fazer essa mistura dos vários estilos do rock procuramos entrar na rede de festivais independentes. Existe uma rede muito grande de festivais independentes no Brasil que poucas pessoas conhecem. Há milhões de bandas que só querem tocar. Quem faz música quer ser ouvido. A única coisa que as pessoas se preocupam hoje em dia é com dinheiro. Quem produz. As pessoas querem ser ouvidas e reconhecidas. Há diversas bandas disponíveis com todo tipo de proposta. Bandas que tocam em troca de carona e hospedagem, banda que toca cobrando cachê, outras que fecham circuito tocando em cidades próximas. É muito rico. É uma cultura muito interessante. Há mistura de estilos, já vi mistura de rock com frevo. Há uma cena fortíssima de rap. Uma qualidade enorme. Conheci o rap através do Grito Rock. E ficamos encantados e apaixonados pelo que descobrimos.

Por que a filosofia e o pensamento de um coletivo são diferentes?

Depois que fizemos o Grito Rock, a gente precisava arrecadar recursos e então fizemos um evento e usamos um segundo nome que temos alternativo que é o Máfia do Rock e fizemos o Mensalão do Rock, um evento que foi preparado em 15 dias. Trabalhando em quinze dias fizemos um evento bonito pra caramba. E foi aí que percebemos esta filosofia e pensamento do coletivo. Vimos como funciona a parceria. Eu acredito que quando as pessoas tiverem uma consciência coletiva o mundo estará salvo. Porque o coletivo transforma, muda coisas, ele realiza.

E a SEDA? Como surgiu o evento?

Estávamos sem nenhuma ação programada. E conhecemos um show do Coisa Nostra e resolvemos trazê-los a Passos. O Coisa Nostra é muito diferente de tudo que já teve na cidade. Música e teatro ao mesmo tempo. E eles tem uma proposta diferenciada: anos 50, gangster, cabaré e tem muita música e há um universo fantástico de Nostrife que eles criaram. É delicioso. Estávamos pensando em como articular essa ação e foi aí que abriu o edital da SEDA, que é a Semana do Audiovisual da rede Fora do Eixo. Pensamos em criar uma programação que incluísse gente nossa, de Passos. Escrevemos o projeto e mandamos. E está um momento muito bacana em Passos para as coisas acontecerem. Iniciativas legais como o próprio Café Teatro Chaleira, a reativação do Teatro Rotay, o Lady Bug Rock Café, um bar alternativo de rock. Vimos na SEDA uma oportunidade de firmarmos e divulgarmos nosso projeto. Então a partir da iniciativa da SEDA pudemos sentar e ver quem é o NÒIZ e quais as propostas de agora em diante. Com a SEDA fortalecemos o NÒIZ. A gente não quer só música, mas também o cara que pinta, que desenha, encena, anda na perna de pau, a mulher que escreve poesia na casa dela, o cara que faz rap lá no gueto e ninguém sabe. Todo mundo na mesma sala comendo do mesmo pão!