Espíritas de Passos realizam trabalho aos sábados no Hospital Psiquiátrico Otto Krakauer. Apesar de ser organizado pelo Movimento Espírita, o trabalho é ecumênico.

Todos os sábados, a partir das 15 horas, um grupo de voluntários se reúne na porta do Hospital Psiquiátrico Otto Krakauer em Passos, fazem uma prece, se preparam e vão levar aos pacientes da instituição uma palavra amiga e trabalhos motivacionais buscando a elevação da alma e o resgate da autoestima e da confiança em si mesmo.

O Hospital Otto Krakauer é uma entidade filantrópica mantida pela Fundação Beneficente São João da Escócia, que completa em 2014, 39 anos de atuação em Passos. O trabalho é voltado para portadores de transtornos mentais e também dependentes químicos. São recebidos pacientes das mais diversas localidades do estado de Minas Gerais e até de São Paulo ou outras localidades. O hospital é referência no tratamento psiquiátrico e conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e educador físico que atendem esses pacientes. São diversas atividades realizadas durante a semana em diversos grupos e as equipes se reúnem semanalmente para fazerem a avaliação dos pacientes com o médico psiquiatra.

Com as bênçãos da espiritualidade maior, surgiu o Movimento no Otto, que é um trabalho liderado pelos espíritas de Passos, mas que tem um tom ecumênico, já que o objetivo maior não é levar nenhuma doutrina filosófica ou religiosa, mas sim promover a espiritualidade e o contato com Deus de uma forma ampla, respeitando as diversidades.

Idealização

Os coordenadores do trabalho, o presidente da Aliança Municipal Espírita, Evandro Bogo e a professora e representante da Associação Espírita Pai Kachambi, Sirlene Pereira de Queiroz contam que desde a idealização até a execução do projeto, tudo aconteceu de forma muito natural e se encaminhou de forma positiva alicerçados pelos trabalhadores da seara de Jesus. “Nós da Associação Espírita Pai Kachambi queríamos fazer um trabalho voltado para a sociedade. Já tínhamos esse projeto lá. Mas como darmos o primeiro passo? Por meio do nosso guia espiritual, Pai Kachambi, tínhamos essa missão de colocar o nosso trabalho inserido na comunidade. Foi assim que surgiu a ideia”, disse Sirlene. Ela conta que o primeiro passo então foi procurar a Aliança Municipal Espírita de Passos para a afiliação da associação como membro, pois ainda não eram associados. A Associação Espírita Pai Kachambi trabalha na vertente da Umbanda, mas enfatiza também os estudos de Kardec e tem como meta principal assim como qualquer outra entidade espírita a prática da caridade e o amor próximo.

Sirlene destaca que ainda existe o preconceito e que infelizmente ele reforça a falta de informação das pessoas. O Movimento no Otto está unificando as casas espíritas e promovendo um contato e comunicação entre as diversas entidades num trabalho voltado para o amor e a ação. A cada semana é uma casa espírita que doa o lanche para os pacientes sendo: Associação Espírita Cáritas, Monsenhor João Pedro, Santo Agostinho e Pai Kachambi. Depois de muito diálogo e avaliação documental a Associação Espírita Pai Kachambi foi associada à AME e como a Aliança também já estava iniciando um trabalho no Hospital Otto Krakauer, uniram as mãos e hoje o trabalho existe com toda força. “Reforço que o projeto foi concebido em cima dessa urgência de Unificação. É como se os anseios velados e latentes desse movimento estivessem buscando um evento catalisador para dar início, de forma mais clara e evidente à necessidade de Unificação. Daí a importância capital desse Projeto. Devemos todos fortalecê-lo. É por isso que ele é da responsabilidade da AME, para reforçar essa contribuição do Projeto no Movimento geral de Unificação”, destaca Evandro Bogo.

Voluntários na porta do Hospital Otto Krakauer. Foto: Tânia Joele
Voluntários na porta do Hospital Otto Krakauer. Foto: Tânia Joele

Atividades

Já faz m ano e meio que o trabalho está em atuação. Os voluntários passam um tempo de duas horas (das 15h às 17h) com os pacientes, orientados pela equipe profissional do Hospital. Um grupo trabalha com os dependentes químicos e outro com os portadores de transtornos mentais em alas separadas. Fazem a oração inicial, depois servem o lanche e depois são realizadas diversas atividades como pintura, dança, leituras, desenhos e outros.

A gerente geral do Otto, a enfermeira Iara Silveira, conta que os resultados do trabalho são evidentes: “as unidades estão mais tranquilas, diminuiu o uso da medicação, os pacientes estão mais tranquilos”. Iara lembra que a necessidade do Hospital realizar este tipo de trabalho é antiga e que a equipe encontrou no Movimento Espírita de Passos um alicerce positivo para dar seguimento a ideia e aos objetivos de abrir as portas da entidade para a sociedade passense. Para ela, é importante que a comunidade conheça e colabore com o hospital, pois ele é da cidade e de toda a região. “Esse trabalho que o grupo AME está fazendo aqui veio ao encontro de uma necessidade nossa porque nunca existiu e a gente sempre pensou em algo assim porque é muito importante que as pessoas tenham uma espiritualidade. Então quando eles vieram com a proposta a gente ficou muito feliz. Eles se propuseram a trabalhar inicialmente com os dependentes químicos, mas agora já abrange o portador do transtorno mental o que seria uma segunda etapa, já estava até programado, mas até foi antecipado”, disse.

Sirlene ressalta que como todo trabalho voluntário e comunitário há as dificuldades, mas que são superadas com a força do Alto. Ela convida a comunidade passense a participar do Movimento. Ele é aberto e ecumênico e quanto maior o número de voluntários melhor será a eficácia das atividades, a atenção aos pacientes e a conversa, a palavra amiga que eles precisam ouvir. Ela concorda com Iara sobre a melhora dos pacientes e de todo o hospital em geral. O grupo espírita está muito satisfeito com os resultados. “No começo os pacientes eram muito apáticos e tímidos, ainda não estavam acostumados com a presença de alguém de fora no ambiente hospitalar. Aos poucos eles foram se soltando e hoje esperam a gente chegar e ao final perguntam: vocês vão voltar? Já tem até mais alegria no Hospital. O espaço está alegre. O Hospital ganhou vida”, comenta.

Passes

Há ainda um segundo objetivo que começou recentemente a ser colocado em prática. É a aplicação de passes magnéticos pelo menos aos dependentes químicos. “É um trabalho de doação de energias para os pacientes”, disse Sirlene.

A voluntária Láuzara Maria de Melo, que faz parte da Associação Espírita Monsenhor João Pedro, está no trabalho praticamente desde o começo. Para ela, visitar os pacientes e trocar com eles uma palavra, energias e doar um pouco de sentimento, faz com que a vida seja enxergada sob outra ótica. “Esta visita e este trabalho são muito importantes. Muitas vezes reclamamos da vida e esquecemos que há irmãos nossos precisando de nós. Temos sempre que levar em conta o quanto Deus é bom com a gente”.

Láuzara lembra que no dia que se iniciaram os trabalhos com os portadores de transtorno mental houve uma grande ansiedade. Ela destaca que ainda há muito preconceito que precisa ser quebrado, pois o paciente de transtorno mental é um ser humano e tem que ser respeitado dentro dos seus valores e princípios. “Os pacientes melhoraram e muito. No primeiro dia que ficamos com os pacientes de transtorno mental nós ficamos preocupados em como poderíamos colaborar e promover benefícios para eles. Mas devagar com muito trabalho e perseverança, fomos chegando em cada um e hoje somos recebidos por eles, eles esperam nossa visita”, destacou afirmando que as bênçãos e benefícios são muito mais recebidos pela equipe de voluntários do que pelos pacientes, lembrando que a equipe sai do hospital revigorada: “O Otto não precisa de nós, nós é que precisamos do Otto!”.

Outra voluntária do Movimento no Otto, a passense Fernanda Franklin, que atua na Associação Espírita Pai Kachambi, também concorda com Láuzara: “Além de levar carinho, entretenimento e descontração, é possível realizar, a partir destas atividades, um trabalho de assistência espiritual aos pacientes, sendo assim, acredito eu, não só eles são beneficiados, mas também suas famílias e comunidade”, considera Fernanda. Ela conta que resolveu participar do Movimento deste o seu início, pois acredita na soma de esforços e que todos estão em busca de um aprendizado e da evolução espiritual em si. “Todos somos um, então, quero auxiliar essa parte de mim que encontra-se enferma a curar-se, ou pelo menos melhorar”, completa.

Sobre a Unificação do movimento Espírita Fernanda diz: “só pelo fato de nos reunirmos todos os sábados em torno desta causa e atuarmos juntos para que eventos internos aconteçam, já é união. Estes encontros nos proporciona um elo de amizade entre os membros das demais casas, facilitando o entrosamento entre elas”.

Ajuda

O Hospital Otto Krakauer precisa de muita ajuda da comunidade e passa por constantes necessidades, inclusive financeira. Para quem quer ajudar há duas contas que são colocadas ao final dessa reportagem e também um telefone do setor de captação de recursos e projetos.

Para Evandro Bogo, o projeto caminha com resultados desde a melhoria interna das relações, o desbloqueio de forças antagônicas, a melhoria dos pacientes, do ambiente até as esperanças renovadas, internos transformados ou em vias de transformação, chegada de trabalhadores de todos os lados. “Venham participar conosco. O projeto embora seja de responsabilidade da AME é ecumênico”, convida.

Conforme finaliza Sirlene: “é um trabalho holístico e tem como foco também ser um trabalho para os jovens. O jovem hoje está meio perdido, ele não sabe para onde ir, não sabe para onde caminhar. A ideia não é um grupo espírita. É para quem quiser chegar e não tem vínculo religioso. Todos podem trazer seus dons para trabalhar no projeto. Por exemplo, tem artista plástico trabalhando, professor de Educação Física, é bem diverso. A ideia é essa”.

Uma ideia abençoada que coloca o amor em ação e que fortalece a mensagem de Jesus no nosso evangelho do mês: ide e fazei pescadores de homens!

 

Para doação ao Hospital Otto Krakauer

Telefone: (35) 3526 9900 ou 3526 6699

Contas para doação:

Banco do Brasil – Agência 0194-5 Conta: 70.000-2

Itaú – Agência 3136 Conta: 09799-9

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