Cartaz de divulgação da festa, belíssima obra da designer peruana Patrícia Medrano Bravo
Cartaz de divulgação da festa, belíssima obra da designer peruana Patrícia Medrano Bravo

“Com a Senhora da Penha celebrando os 150 anos de sua Capela: Maria – Mãe e Missionária”. Com esse lema, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha, em Passos, teve diversos motivos para fazer uma comemoração ainda mais intensa neste ano de 2014. A festa que termina hoje (8 de setembro) marcando o dia de Nossa Senhora da Penha, comemorou os 150 da Capela Histórica que é Patrimônio de Passos e 67 anos da Paróquia, que por sinal é a maior da Diocese de Guaxupé e o primeiro Santuário a ser erguido nesta diocese.

Imponente e erguida ao alto, já que a história deste título que recebe Maria se refere a um penhasco, a uma pedra, como remonta a história, o Santuário da Penha é visto por toda a cidade e a capelinha octogonal é uma das poucas que existem no mundo todo nesse formato.

Os festejos começaram no dia 28 de agosto e hoje marca-se o grande final com a procissão do Santuário até à Capela, missa de encerramento e apresentação da Banda do 12º Batalhão de Polícia Militar. O pároco Padre Franciso Clóvis Nery está feliz com o resultado e destaca a importância da Festa da Penha e de sua memória em toda a cidade. “Eu acredito que é um momento muito gratificante, pois é a festa mais antiga que há em Passos. Há alguns anos, a gente tem tentado reestruturá-la retomando valores que foram se perdendo ao longo do tempo. E hoje com o mundo em que o ser humano fica trancado em casa com medo da violência, nossa preocupação primeira foi ter um ambiente familiar. Um ambiente em que a família pudesse estar ali rezando, confraternizando”, comenta o sacerdote explicando que a festa é dividida no aspecto social e religioso, mas que ambos se complementam.

Já no dia 28 de agosto foi realizada a pré-festa, um momento de confraternização com brincadeiras, sorteios de prêmios, serviço de bar. Além de toda a programação festiva foi promovida uma rifa com o sorteio de 5 motos, e a renda será revertida em benefício da paróquia já que reestruturou recentemente o Centro de Pastoral Sant’Ana e está em fase de desmembramento, quando será criada em novembro a Paróquia de São Luís Maria de Montfort.

No dia 29 de agosto, a comemoração se dedicou aos 150 anos da Capela e Padre Clóvis explica que a temática da festa gira em torno da Missão de Maria, a primeira missionária cristã. “Tivemos uma missa bonita com a coroação de Nossa Senhora, valorizando o que já havia no passado. Nosso objetivo então foi retomar a história, trazendo a memória da nossa gente”, contou.

A partir do sábado, 30 de agosto, todos os dias foi realizada a alvorada com queima de fogos às 5h da manhã, anunciando a festa; às 5h30 procissão da aurora e às 6h missa na Capela. Um ponto alto da festa foi a carreata no domingo, 31 de agosto, que contou com número enorme de veículos, marcando neste dia a comemoração dos 67 anos da Paróquia.

Uma missa para os enfermos foi realizada no Santuário, na segunda-feira, 1º de setembro. E na novena realizada todos os dias a noite em frente à Capelinha, foi trabalhado um símbolo que tem a ver com a paróquia. “Relembramos os coroinhas antigos quando a Matriz ainda era a Igreja de Santo Antonio, quando a missa era em latim; grupo de seresta; lavadeiras do morro do açude, mulheres que iam até o córrego de boiadeiros lavar as roupas e cantavam e oravam; e por que não até o carnaval? O profano e o sagrado – a Escola Malandro é o Gato surgiu dentro da comunidade. O bairro da Penha é um bairro de manifestação cultural muito grande. Relembramos também as companhias de reis que infelizmente perderam muito o sentido, não todas. A cavalhada que é uma das manifestações mais antigas”, descreve o padre se emocionando com um momento da celebração religiosa em que um filho e um neto de comandante de cavalhada ficaram ao pé de Nossa Senhora da Penha cruzando as espadas e nesse momento um cavalo todo enfeitado entra e o cavaleiro oferece um buquê de flores a Nossa Senhora. “Lembramos também o Apostolado da Oração, as Pastorinhas, no domingo a Congada com um terno de Congo do Sr. Jerônimo”, completa o pároco.

A devoção à Maria no título que recebe de Senhora da Penha marca a espiritualidade cristã e fortalece a cidade de Passos. Na visão do Padre, o município nasce aos pés de Nossa Senhora da Penha. “Não se trata apenas do bairro da Penha, mas quantos que moram fora e que recordam: olha eu nasci na Penha, meu avô morou na Penha. São 150 anos de Capela e eu falava outro dia da questão cultural. Eu noto que nem sempre valorizamos e quando não damos valor perdemos muito e temos que conhecer os patrimônios, as expressões para não deixá-los morrer. E um povo sem história é um povo sem memória”.

 Celebração eucarística
Celebração eucarística

Espiritualidade de Nossa Senhora da Penha

A mística de Nossa Senhora da Penha confirma a devoção dos católicos por Maria e Padre Clóvis explica que em cada país ela recebe um nome ou título: Nossa Senhora Aparecida aqui no Brasil, Nossa de Fátima em Portugal, de Lourdes na França, Guadalupe no México e um dos títulos que ela recebe é Nossa Senhora da Penha. A palavra penha quer dizer pedra, penhasco e é por isso que toda igreja da Penha fica num ponto alto. “E eu sempre digo que quem de nós não enfrenta pedras ao longo do caminho, que não enfrenta dificuldades, provações? Eu acredito que é momento de pedirmos a ela que nos abençoe”.

As histórias sobre a Senhora da Penha são muito interessantes. Uma conta que na Espanha houve uma grande epidemia e muitos estavam morrendo. Um homem resolveu fazer 7 imagens dedicadas a Nossa Senhora e chegando à última ele não sabia qual ele faria e alguém disse a ele que fizesse uma imagem de Nossa Senhora da Penha. O homem esculpiu a imagem e a epidemia cessou. A outra é de origem portuguesa. Havia sido construída uma imagem de Nossa Senhora e não se deu o nome a esta imagem e quando os muçulmanos invadiram Portugal eles esconderam essa imagem no alto de uma montanha numa pedra. Os tempos passaram e um dia um homem teve um sonho, para subir à montanha que lá estava a imagem. Ele foi subir a montanha que chamava Penha de França e teve a visão da imagem. Cansado, senta e adormece e em sonho vem uma serpente para tentá-lo e picá-lo. A serpente está associada à tentação, ao mal, segundo o Padre Clóvis. E vem um lagarto que come a serpente. Nesse momento ele percebe que em sonho ele estava rezando Minha Nossa Senhora da Penha, valei-me. E naquele local que ele estava, remove a pedra e encontra a imagem. “Por isso que nossa senhora tem sempre próximo à sua imagem a serpente e o lagarto e o homem peregrino”, explica Padre Clóvis.

Padre Francisco Clovis Nery
Padre Francisco Clovis Nery

Paróquia da Penha

A Paróquia Nossa Senhora da Penha é a maior paróquia da diocese com estimativas próximas a 35 mil habitantes. Está localizada num bairro muito populoso e que cresce a cada dia mais. Ela se dividiu em diversas comunidades sendo formada pelo Santuário, a Capela da Penha, Igreja Santo Antônio (nas Cohabs 4 e 5), Igreja São Luís Maria de Montfort (na Cohab 2, que no final do ano será uma nova paróquia),  Comunidade Nossa Senhora de Guadalupe, Igreja Nossa Senhora Aparecida (na Zona Rural denominada Pau D’Alho), Comunidade São João (Rural) e Comunidade Santa Rita de Cássia (próxima à Cássia). De acordo com o pároco, o desafio pastoral é grande e com o surgimento de novos bairros surge a necessidade de novas comunidades. Em breve será inaugurada na Vila São José a Igreja de Santo Expedito e São Pedro Claver e uma nova comunidade está surgindo na Vila Betinho, a Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus.

A vida de oração e participação na comunidade se fortalece na Paróquia da Penha e com confraternizações e celebrações o povo se reúne e marca mais uma página na história e memória do município.

Fiéis acompanham as celebrações e festejos
Fiéis acompanham as celebrações e festejos

 

 

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