jessica

Roxo, verde, azul, vermelho, rosa… Essas são só algumas das cores pelas quais já passou o cabelo de Jéssica Fernanda da Costa, a Jejé, para os íntimos. Aos 20 anos de idade e com um estilo diferente e ousado, a jovem vestibulanda mostra uma reação ao preconceito e à falta de aceitação das pessoas como elas são. Natural de Guaxupé, está em Passos desde os 14 anos e já passou também por Jacuí.

E como começou essa história de pintar o cabelo? Faz tempo! Desde a adolescência, quando apareceu a primeira vez no colégio com o cabelo verde, causou espanto… O que chama a atenção de muita gente é que em uma semana Jéssica está com o cabelo rosa, na outra ele pode estar azul. Mas a garota afirma que o intuito principal não é causar impacto e chamar a atenção, mas sentir-se bem da forma que se é. Uma reportagem veiculada em uma edição do Programa Encontro com Fátima Bernardes, transmitido pela TV Globo, chamou a atenção, pois depois de mostrar meninas com os cabelos coloridos e como elas faziam para deixá-los assim, a apresentadora disse que uma delas estava apenas chamando a atenção e isso deixou Jejé furiosa! Além do cabelo, ela ostenta um estilo próprio, com roupas da moda e diferenciadas predominando muito o preto, o vermelho e o roxo e ostenta no colo uma tatuagem enorme com uma caveira curtindo um rock, o estilo musical preferido. Mas essa não foi a primeira tatuagem nem será a última. A primeira foi uma estrela de Davi nas costas, bem discreta, e ela já está pensando nas próximas, que teremos que aguardar para ver quais serão. Pierciengs no nariz e alargadores na orelha completam o estilo.

jessica4

O colorido nos cabelos é feito por ela mesma. Quando começou ia a salões, mas depois passou a fazer sozinha em casa, algumas vezes usando tinta, outras usando anilina. Mas ela garante que não estraga o cabelo e quando percebe que ele está muito ressecado deixa um pouco sem tinta ou apenas descolore e deixa ele bem louro, quase branco, como está atualmente. A próxima cor? Ela está pensando no vermelho.

“É muita hipocrisia que existe na sociedade. Tenho dificuldades em encontrar empregos por causa do meu estilo, mas não quero mudar. Já tive também bons empregos. Trabalhei numa pizzaria e numa empresa de ônibus e era muito respeitada. Os clientes até já tinham se acostumado comigo. A sociedade precisa me aceitar como sou. Não é um estereótipo que diz quem eu sou”, enfatiza.

jessica3

Com esse pensamento a jovem destaca que a sociedade é formada por meio de estereótipos e padrões que muitas vezes não revelam a verdadeira identidade de uma pessoa. “Muitas pessoas chegam até mim e dizem: nossa como eu queria ter o cabelo dessa cor, mas não tenho coragem! O que as pessoas vão pensar? E eu penso que é uma hipocrisia fazer as coisas sempre pensando no que os outros vão pensar”, diz reforçando que às vezes a forma ou a maneira de uma pessoa se vestir ou sua própria personalidade mexe com as pessoas. Ela conta um caso de uma prima que fez uma tatuagem comum, como uma coroa cercada de dizeres “Minha mãe é minha rainha” e que a família inteira apoiou e adorou, mas já o estilo de Jejé causa impacto entre os familiares. “Eu gosto de ter uma caveira e o cabelo roxo, por que não posso ter?”

Estudiosa e com convicções fortes, cursa atualmente o cursinho pré-vestibular comunitário do Núcleo Dércio Andrade/Educafro que funciona em Passos, no Educandário. Quer fazer história e não abre mão de um grande centro. O objetivo é a Unicamp em Campinas.

Juventude, ousadia, garra e coragem. Talvez no estilo diferenciado de Jéssica é que se encontram características que muitas vezes estão faltando em nossos jovens. Colorir o cabelo ou não, ela é um exemplo de quebra de paradigmas. “Se a mídia passar a divulgar que colorir o cabelo é legal, todo mundo vai colorir, tanto que já está aumentando o número de pessoas com os cabelos coloridos. Eu sou o que sou e as pessoas deveriam pensar assim também”, conclui.

jessica5