Fonte: TV Globo Divulgação - Acessado por: mdemulher.abril.com.br
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Depois de muito tempo sem escrever nesse meu espaço, eu precisava capiná-lo. Ou seja, tirar os capins que cresceram e atualizá-lo. Ando meio relapso com meu pequeno público, mas de agora em diante quero me dedicar mais a esse meu espaço e aumentá-lo e fortalecê-lo com novos projetos e novos desafios. Fiquei pensando num tema para escrever aqui e logo eu percebi que eu precisava falar um pouco mais de Jornalismo e Comunicação, já que o nome do blog é Danilo Vizibeli – Jovem Jornalista. Quero me ater mais à imprensa e com isso resolvi escrever sobre o blogueiro Téo, que vem ganhando a cada dia, mais espaço na novela Império.

Téo Pereira é interpretado por Paulo Betti. Ele é um blogueiro que tem um espaço na internet para fofocas e fuxicos, mas que insiste em definir sua atividade como jornalismo. O site da novela Império define a sinopse do personagem como “Maldoso e ferino, destila todo seu veneno nas notícias que publica em seu blog. Não é muito amante da verdade, por isso de vez em quando apela para o “segundo me contaram” e publica uma notícia mentirosa – razão dos vários processos a que responde. Persegue figuras públicas e da sociedade, e quando cisma com alguém… Sai de baixo!”

A questão que podemos levantar é até onde a atividade de Téo é jornalismo? Sabemos que a atividade jornalística tem o compromisso com a verdade como uma de suas premissas. Mas sabemos também que a prática tem mudado muito em tempos de comunicação instantânea e velocidades da informação a um clique. Defino em Vizibeli (2013, p.36) a Internet como “um espaço comunitário onde se partilham as identidades no movimento da rede, que traz tanto perigos quanto alegrias, soluções”. A partir da percepção da Internet como esse espaço de todos, surgiram práticas autorais (ou não) que se configuram em dizer o que se quer, no momento em que se quer. Amaral, Recuero e Montardo (2009, p.32-33) assim comentam sobre os blogs: “A percepção dos blogs como espaços de sociabilidade, como constituintes de redes sociais, está presente nessa vertente. Blogs como meios de comunicação implicam também sua visibilidade enquanto meios de práticas jornalísticas, seja através de relatos opinativos, seja através de relatos informativos. No conceito estrutural, por outro lado, permite apreender-se o blog enquanto formato, abrindo-se para múltiplos usos e apropriações”.

Dentro desses múltiplos usos e apropriações é que Téo Pereira faz uso do seu blog para aquilo que mais gosta: falar mal das pessoas e destruir suas vidas. O que me intriga é que ele insiste em chamar sua atividade de jornalismo e ainda conta com uma jornalista profissional que corre atrás dos furos e faz todo o trabalho de “investigação” das fofocas. Podem me condenar quem quiser, mas eu vejo novela. Ensino aos meus alunos que devemos olhar para a Rede Globo e para a mídia como um todo com criticidade e saber enxergar por trás das aparências, atentos para a alienação e manipulação feita em nossas cabeças. Mas eu vejo novela. E gosto. E procuro ver o lado bom mesmo naquilo que tem tudo para ser ruim.

Fonte: TV Globo Divulgação - Acessado por: oculum.com.br
Fonte: TV Globo Divulgação – Acessado por: oculum.com.br

O blogueiro Téo, ou melhor, a jornalista Érica, sua comparsa, chama uma discussão interessante em momentos de mudanças no jornalismo, mais perceptíveis com o advento das redes sociais. O que mais me intriga ainda é que as fofocas de Téo Pereira vendem e ele ganha dinheiro com isso. Até que ponto uma notícia (ou no caso fofoca) precisa ser vendida? Parece que impera em nossa sociedade e no jornalismo a ótica do capitalismo: se não vender não vale a pena divulgar, deixando a ética e o interesse público que aprendemos na faculdade de lado. Eu com esse meu pequeno blog, nunca consegui me profissionalizar por meio deste espaço. E fico pensando até que ponto o que eu publico aqui tem interesse público. Mas prefiro acreditar, e confirmo por meio dos acessos que o blog tem tido, que independente da quantidade de cliques, o blog chega aos leitores e tem muitas pessoas que o leem e com isso cumpro também o meu papel de Jornalista.

Mas em se tratando dessa questão da notícia como produto à venda e da proximidade do Marketing com o Jornalismo, Manuel Carlos Chaparro diz: “Nunca como agora o marketing e a notícia andaram tão próximos e interativos. Na política como nos negócios. Nas religiões como na ciência. Na cultura como nos esportes de alta competição. Em qualquer desses campos, e em outros, os acontecimentos noticiáveis são cada vez mais cuidadosamente planejados e controlados pelos saberes e poderes estratégicos do marketing, que transformam em ações táticas os fatos a serem noticiados. Os próprios produtos jornalísticos – jornais, revistas, programas de TV e rádio – investem cada vez mais em estratégias de marketing, em busca de audiências que lhes garantam lucros. Ou seja: sobrevivência. E isso nada tem de ruim, desde que não ocorra a fraude do jornalismo, em suas razões de ser e nos seus modos de produção”.

Dessa forma, vejo que a necessidade, a avidez pelas fofocas de blogueiros e fuxicos da vida de famosos a anônimos é uma coisa que vem do público e da cultura brasileira também. É preciso uma transformação da sociedade como um todo para que não haja essa fraude do jornalismo que Chaparro coloca. O público precisa saber selecionar suas fontes de informação. Mas o público só poderá escolher boas fontes de informação se houver jornalistas éticos e que produzam tais fontes, ofertando à sociedade conteúdo de qualidade. Por isso defendo a importância da profissionalização jornalística, séria e competente.

Por ora então, sem querer alongar o que Téo Pereira faz não é jornalismo e sim fuxiquismo. O jornalismo promove a transformação na vida das pessoas por meio da informação séria e do compromisso com a verdade. Mas a inclusão do blogueiro na novela tem sua utilidade para chamar à discussão a atividade jornalística. Em um dos diálogos entre Érica e Téo depois de contar sobre uma história de um tal homem que virava lobisomem e que Téo publicou, Érica diz: “E você chama isso de jornalismo?” E ele diz: “Vou te ensinar uma coisa. Jornalismo é só aquilo que alguém não quer que seja publicado. O resto é publicidade”. Ele chama as fofocas de Jornalismo e o resto de publicidade. E continuará a destilar o seu veneno. Mas a personagem serve para alertar a população e mostrar que nem tudo que a imprensa publica é confiável e que jornalistas antiéticos e inescrupulosos estão por aí em toda parte.

Danilo Vizibeli

Professor, Jornalista e Mestre em Linguística

Referências:

VIZIBELI, Danilo. Leitores e autores do Blog do Folhateen: adolescentes como sujeitos discursivos promovendo a escrileitura na cibermídia. Dissertação de Mestrado. Universidade de Franca. 2013.

AMARAL, Adriana; RECUERO, Raquel; MONTARDO, Sandra (Orgs.). Blogs.Com: estudos sobre blogs e comunicação. São Paulo: Momento Editorial, 2009.

CHAPARRO, Manuel Carlos. Marketing, jornalismo e sociedade: um acordo possível. Disponível em: http://www.oxisdaquestao.com.br/admin/arquivos/artigos/2012_7_31_14_39_18_43153.pdf Acesso em 16 ago. 2014.

http://gshow.com/imperio.

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