Demorei para postar um novo texto, pois estava participando do 62º Seminários do GEL – Grupo de Estudos Linguísticos de São Paulo em Campinas nos dias 30/6 a 2/7. Aqui vai um novo texto!

Somente a criação de uma lei mais rigoroso irá diminuir o contato dos adolescentes e jovens com o ácool. Opine nos comentários.

A cultura brasileira é perpassada pelo consumo do álcool que é colocado em evidência por meio de publicidades como propagandas de cerveja que levam ao êxtase e mostram o lado bom da bebida. Com isso, não se enfatiza nos meios de comunicação os prejuízos que o álcool pode causar na vida de uma pessoa. A lei seca – implantada no Brasil – diminuiu o número de acidentes, mas não gerou uma política de campanhas educativas que coloquem o álcool como um grande vilão não só do trânsito, mas de toda estrutura psicológica e física do indivíduo. Diminuiu os acidentes, mas não diminuiu o número de consumo de álcool.

É costume numa roda de amigos levantar o copo e ao brindar com todos batê-lo na boca da garrafa dizendo que é para não secar a fonte. Muitas pessoas dizem que bebem socialmente. Grande parte consegue um equilíbrio e o controle da bebida parando de beber quando lhes convém. Acontece assim com pessoas que tem uma vida estável, sem problemas psicológicos ou maiores complicações emocionais e sentimentais. O difícil do uso do álcool é quando ele pega a pessoa em despreparo e que daí pode surgir o alcoolismo. Como saber se está preparado ou não? Droga sim, inconsequente e silenciosa que coloca pessoas de bem no precipício quando menos se espera.

Quando se trata da associação da bebida e direção a coisa se torna ainda pior, pois além de pôr em risco a própria vida, coloca-se em situações calamitosas a vida de terceiros. O álcool é responsável por 30% dos acidentes de trânsito, segundo dados da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego). Dessa forma, a necessidade da Lei Seca já era tardia e ela veio reduzir e modificar a conduta de alguns motoristas que são conscientes e pensam no bem-estar coletivo. Para que a Lei seja cumprida efetivamente é preciso mais fiscalização e fazer com que haja uma constante retomada dos objetivos da legislação. Muitas vezes isso não acontece no Brasil. Cria-se uma lei, mas depois do debate para a sua implantação, passa-se alguns anos e ela cai no esquecimento. Seria interessante que nas disciplinas escolares houvesse uma formação seriada a cada ano sobre Constituição, as diversas leis existentes para o equilíbrio social e a realidade histórica e cultural do Brasil.

O desafio deve ser de todos.O primeiro passo foi dado. Agora é preciso a aliança de Estados, municípios e sociedade para que os resultados sejam ainda maiores. Nesse sentido, os efeitos da lei seca são positivos, mas é preciso uma avaliação e monitoramento constante do poder público, para que as estatísticas continuem melhorando e não fiquem estacionadas ou voltem a crescer em termos de números de acidentes. Combater o alcoolismo é urgente para que os efeitos da Lei Seca sejam ainda maiores. É preciso “secar a fonte”, mudando a cultura brasileira para atos de lazer mais saudáveis e de que não é preciso estar embriagado para estar feliz. Se não é possível secar a fonte, que ela corra pelo menos com menor intensidade e por caminhos menos tortuosos.

 

Danilo Vizibeli

Professor, jornalista e mestre em Linguística