Capa do livro publicado no Brasil pela Editora Intrínseca
Capa do livro publicado no Brasil pela Editora Intrínseca

 

Segunda-feira fui assistir ao filme “A culpa é das estrelas”. Bilheteria lotada. Quando entramos na sala já estava lotado e se tivéssemos demorado mais um pouquinho, não acharíamos um bom lugar para sentar. Maioria do público: adolescentes, é claro. Os adultos eram os pais que acompanhavam seus filhos ou algumas pessoas jovens como nós, interessados neste tipo de trama.

Não li o livro; o que deveria ter feito, pois como sempre o livro é melhor, mais abrangente. Achei muito bonito o filme e resguardado o seu tom muito romanceado, ele cumpre um papel social imprescindível num momento delicado que o mundo vive.

Ao fim do filme o cinema parecia que ia inundar de tantas lágrimas dos telespectadores. Só se ouvia o barulhinho dos narizes fungando para conter o processo do choro. Achei muito bonito aquilo, pois em pleno século XXI ainda é possível chorar em filmes, o que mostra que ainda temos preservado nosso lado humano, que o capitalismo e a desmoralização e alienação impostas pela mídia tentam destruir.

Cartaz do filme na versão original
Cartaz do filme na versão original

É isso mesmo o que me chamou a atenção em “A culpa é das estrelas”: resgatar o humano que há em nós. Ao tratar do câncer entre adolescentes, John Green, autor da obra homônima, traz um assunto importante que não é falado nas novelas e filmes. Sempre se aborda o câncer entre adultos. Outro ponto forte é amor entre Hazel e Augustus, inocente, puro, sublime… Surge até a pergunta ao final do filme: será que existe amor assim? Olha, está difícil de existir, mas não é impossível e acredito que filmes como esses podem contribuir para resgatar o humano-divino amor que há em nós.

Até a cena de sexo que há no filme foi produzida com muito bom gosto, com poeticidade e lirismo. Salvo alguns exageros, como a cena em que Hazel sai de noite para ir ao encontro de Augustus que está passando mal em um posto de gasolina. Ali ela arrisca também sua vida. Uma menina que usa oxigênio constantemente e tem um câncer grave, deveria ao menos chamar sua mãe para ir com ela. Achei essa parte meio surreal demais.

Mas no geral o filme contribui muito para a garotada adolescente pensar, refletir e, sobretudo, amar. Acostumados a ler Harry Potter, vampiros e seres imaginários dos mais variados tipos, está se perdendo hoje o lado humano, e as relações interpessoais ficam a cada dia mais vazias, mais precárias e perde-se o sublime da amizade, do amor, da paz, de todos os sentimentos bons que o homem é capaz de desenvolver.

É por isso que torcemos por mais filmes, e livros, principalmente, como “A culpa é das estrelas”.

 

Danilo Vizibeli

Professor, jornalista e mestre em Linguística

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