Meu post da semana! Essa semana não consegui manter o projeto de 1 post por dia, mas cumpro aqui hoje meu dever com meus leitores de ao menos 1 na semana.

homossexualOK

Este texto será um texto polêmico e foi difícil para eu mesmo escrevê-lo, mas ele está engavetado há mais de uma semana e não desisti dele, pois acho o assunto importante e intrigante. Ele não era para ser nenhuma resenha e nem ter nenhum tom científico. Entretanto, fiz a leitura do artigo “A homossexualidade e a historiografia e trajetória do movimento homossexual”, de autoria de Luana Pagano Peres Molina, publicado em 2011 no volume 4, número 8, páginas 949-962 do periódico Antíteses da Universidade Estadual de Londrina (UEL) disponível no link: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses Dessa forma em alguns momentos lanço mão de citações da autora em questão, bem como dos autores por ela utilizado, visto o apreço que tive pelo artigo, elucidativo e claro.

Ler e refletir sobre a homossexualidade é algo prazeroso e tem delineado minha segunda vertente enquanto pesquisador. Para conhecimento de meus leitores e interessados em desenvolver trabalhos acadêmicos em parceria comigo, coloco aqui minhas duas fronteiras temáticas de interesse: 1. Práticas de leitura e escrita ancoradas na tecnologia e no espaço virtual; 2. A leitura da sexualidade na rede e em suportes diversos.

O motivo para esta reflexão surgiu quando ao vasculhar o Facebook, minha timeline, sempre me atenho às fotos e nesse vai e vem acabo observando as fotos de amigos homossexuais. Um deles me chamou a atenção, o que fez surgir a coceira da dúvida para este texto. Percebo uma mudança da imagem estética, ou seja, do visual de alguns homossexuais a partir do momento em que se assumem. Tomo esse processo de assunção da identidade sexual não como uma coisa que acontece num estralar de dedos, mas algo como processo contínuo, que vai acontecendo ao longo do tempo. O homossexual para se assumir como tal passa primeiro pela aceitação própria, depois o compartilhamento com a família, com amigos até ao exercício pleno de sua condição sexual. Essas fases não são fixas e estáveis, mas acontecem na vida de cada um de forma dinâmica: pode-se assumir para os amigos, mas não para a família, por exemplo.

Nessa caminhada, muitos optam por modificar sua aparência e seu estilo. Usam um óculos de sol mais extrovertido, mudam-se as cores das roupas, há inscrições corporais como tatuagens, pierciengs e tantos outros. Surgiu-me a pergunta: precisa mudar? Ao assumir que se é homossexual a aparência tem que passar a vir ser diferente? Vieram essas indagações, pois eu mesmo tantas vezes fui vítima do preconceito dos próprios homossexuais: “você é muito certinho”, “você pode mais, seu estilo é muito retrô”… E olha que tenho a feminilidade inerente em mim. Até onde a aparência faz correlação com a sexualidade? E lendo e relendo os arquivos sobre a homossexualidade, percebo que tem tudo a ver. Pela aparência muitas vezes mostra-se o que se é (e também o que não se é).

Antes de julgar ou condenar, o importante é perceber esse acontecimento (discursivo, no caso), pois ao mesmo tempo em que causa espanto em alguns, causa também simpatia em outros. O espanto acontece porque temos traçados na sociedade, que procura sempre a “heteronormatividade”, o feminino e o masculino como lugares fixos, estáveis e não possíveis de intersecção. O menino joga bola, a menina brinca de casinha. Tenho sofrido com essa copa do mundo, me sentindo um herege, por não ter nenhum entusiasmo com o evento, visto que eu não sei jogar futebol. Só sei que a bola corre para o gol. Mais nada. Não fui ensinado em tal esporte e no Brasil não o ensina, nasce sabendo. Mas eu tenho que gostar de futebol? Não, não tenho. Mas a ordem discursiva prega que para ser menino isso e aquilo, para ser menina isso e aquilo outro.

Molina (2011) comentando Oliveira (2009) diz que “os sujeitos aprendem o conceito de status sexual, através dos comportamentos apropriados a esse status, ou seja, é dentro desta linha que se conceberá a masculinidade e a feminilidade, que se convertem em identidades psicológicas a cada pessoa. Portanto, a participação diversa dos homens e mulheres nas instituições sociais, econômicas, políticas e religiosas são marcadas pela identificação dos diferentes papéis sexuais, incluindo atitudes, valores e expectativas que uma dada sociedade conceitualiza como femininas ou masculinas”.

Para isso é preciso dizer que a identidade sexual é construção. Fortalecendo tal conclusão Molina (2011) diz que “quando se trata de questões de desejo, de amor e de afetividade, a identidade é capaz de surpreender a si mesma; de criar formas de sociabilidade, de política e de identificação que desvinculem o eu dos discursos dominantes da biologia, da natureza e da normalidade”, reforçando com Britzman (1996) que “nenhuma identidade sexual existe sem negociação ou construção”.

Não sei se me fiz entendido, mas a questão é simples: a aparência apesar de mostrar o âmago do ser não pode servir de fator de alienação ou preconceitos, quando ela condiz com o bem-estar e com o assumir-se perante o mundo de tal ou qual jeito. Outro dia uma aluna estava desesperada porque ela tem o cabelo rosa e muitas tatuagens no corpo e está difícil para ela arrumar emprego. Infelizmente! O que sabemos e o que conhecemos? Por que estabilizamos numa imagem só (como a errada, a distorcida, só porque é diferente) quando imagens horrorosas são tidas como normais, como cenas de violência e tantas outras?

Dessa forma respondendo ao título e a indagação inicial: “A mudança da imagem do homossexual ao se assumir. Precisa mudar?” Não, não precisa. Mas pode-se. Pode-se para revelar-se bem e feliz consigo mesmo. E assim fechamos com Molina (2011) ao dizer que “ser homossexual, reconhecer-se homossexual, traz à tona a revolução dos tempos, sentimentos e sonhos de milhares de pessoas”.

Se alguma imagem homossexual diferente da que eu conhecia antes da pessoa se assumir me surgir de agora em diante e eu me assustar, tenho que bater na minha cara e dizer: você está sendo preconceituoso! Posso não gostar e não querer tal imagem para mim, mas também não posso julgar e condenar.

Termino hoje com beijos e viva a paz!

Danilo Vizibeli

Professor, Jornalista e Mestre em Linguística

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