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Para quem ou para que escrever? Hoje, neste dia sem nada a fazer, nesta hora vaga que não possuo, porque não somos donos nem dos nossos narizes, nem de nossos pensamentos, sem ter encontrado alguém para quem eu pudesse escrever, ou algum objetivo para o mesmo, escrevo convidando-te para participar de meu velório. Calma! Não quero imitar Machado de Assis e escrever uma nova versão de “Memórias Póstumas”. Vou renascer. Estou mudando. Comunico oficialmente em todos os meios de comunicação que hoje estarei sepultando os códigos, os meus códigos…

As mãos trêmulas serão firmes. A voz não será mais melindrosa. A postura será de disposição. Quer ouvir mais do que falar. Desabafo comigo mesmo sem ter tantas reclamações. Ser normal. Já que ser diferente também é normal. Sair pelas ruas, nos lugares sociais, sem a sombra maligna da perseguição própria. Tinha medo de mim mesmo. Hoje não mais! O medo está passando e se uma pontinha dele ficar, logo terei como me reerguer porque a sombra não está ao meu lado. É ela que hoje quero enterrar, deixar apagada de vez. Que ela não venha mais me condenar, me julgar, me cobrar. Vai, vai com Deus! Já encomendamos o seu corpo. Descanse em paz…

Chegou a hora da libertação. É o tempo de me redescobrir, renascer, sem para isso ter que morrer. É um enterro, mas não de mim mesmo. É o enterro da parte que me dominava, mas não fazia parte de mim. É hora de falar mais, ser mais paciente. Novos lugares, sonhos, amizades, amores…

Chega felicidade e vem fazer sua mora, porque hoje estou sepultando os Códigos!

Danilo Vizibeli

Escrito em 30 de maio de 2003.

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