estudo-sucesso

Fazer uma relação entre o estudo e uma carreira bem sucedida é um desafio perigoso, pois pode-se cair num viés utilitarista tão comum ao ser humano que precisa dar utilidade prática e aplicabilidade àquilo que faz. Na cultura brasileira, o estudo é tomado como algo difícil, doloroso e muitas vezes em vão, pois há tantas pessoas que não estudam e se dão bem na vida. Então, logo surge aquele enunciado: “para que estudar? Eu quero mais é ganhar dinheiro e ser feliz”.

Até onde o estudo pode levar uma pessoa? Ganhar dinheiro ou ser bem sucedido na vida são dois extremos de uma linha divisória que tem o estudo no centro e que tais extremos podem se encontrar num ponto de intersecção ao meio ou não. Quando se fica apenas numa extremidade temos o lucro, o dinheiro conquistado de maneira fácil sem desprendimento intelectual, preparação ou formação. Quando se está no outro extremo que diz respeito a ser bem sucedido, fazer o que se gosta, ter seus sonhos realizados também pode acontecer sem que haja o estudo ou preparação. Quanto mais a pessoa se desvincula da tendência materialista mais ela tende para o estudo, para a busca da formação que não seja apenas acadêmica, mas humana.

O que é uma carreira bem sucedida para uns pode não ser para outros. Quando se tem estudo apenas uma coisa realmente muda na vida de uma pessoa: a capacidade de discernimento e a formação política e cidadã. Ao refletir, questionar, problematizar o mundo e sair da comodidade de pensamentos prontos e ideias alienantes veiculadas diariamente pela mídia consegue-se ser senhor de si mesmo e marcar sua presença no mundo.

No Brasil, muito já se conquistou em termos de educação básica e superior, mas muito ainda precisa ser conquistado. Disciplinas como o empreendedorismo e a comunicação aplicada fazem parte de uma proposta do Governo de Minas Gerais dentro do Programa Reinventando o Ensino Médio. Gradativamente, a partir de 2014, alunos das séries iniciais do ensino médio terão aulas voltadas para este conteúdo. Preparar o aluno para que ele reflita a formação do seu projeto de vida, o que ele quer e almeja para si durante a trajetória profissional e acadêmica é um fato muito positivo. O projeto de vida pode ser ganhar dinheiro ou ter uma formação educacional de excelência. Se o objetivo é apenas ganhar dinheiro a escola não é o melhor lugar, mas se o objetivo é ter consciência e expertise para construir bons projetos e dos seus resultados o sucesso financeiro ser apenas uma consequência, a Educação, a escola e as universidades colocam-se, nesse aspecto, como as melhores instituições do mundo. Que o Governo de Minas consiga dar cabo do projeto e colocar na prática o que se está no papel.

Danilo Vizibeli

Professor, Jornalista e Mestre em Linguística

danilovizibeli@gmail.com

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