Danilo Vizibeli

Jornalista e Mestre em Linguística

 sagacrepusculo

Formada em Literatura, a autora da Saga Crepúsculo Stephenie Meyer tem muitos predicativos na escrita literária: escreve bem, usa metáforas e tantas outras figuras de linguagem com propriedade.

Por que falar na Saga Crepúsculo composta de Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer, anos depois de seu lançamento?

Confesso primeiramente que é porque só agora consegui concluir a leitura, mas também escrevo porque o tema é atual sendo que a cada dia cresce ainda mais a aparição de sagas e trilogias nas mais variadas áreas desde o advento de Harry Potter e Senhor dos Anéis. Outros autores não ficam focados em escrever sequências, mas abordam temáticas semelhantes em suas obras e os livros estouram na vendagem como O Código da Vinci, O Símbolo Perdido, Anjos e Demônios, as obras de Nicholas Sparks e outros.

Escrever em sagas é para mim uma inversão do valor literário. Quando a obra é única, não tem sequência, ela fala por si só. A Literatura é uma marca de expressão que nunca é original, pois dizem que o “novo” não existe e que a única frase original seria “Fiat Lux!”, de Deus na Criação. Porém, quando a obra é escrita em volume único ela se torna sublime, especial, singular. Quando as pessoas precisam esperar para saber onde vai parar o enredo, ficam ávidas e para isso compram o livro. Comprar, comprar, comprar… Os livros para serem lidos precisam, muitas vezes, ser comprados, mas quando o único objetivo é a venda, perde-se a chama, a aura, o que para o conceito da Indústria Cultural é a incapacidade de pensar ou o bloqueio à atividade pensante que exclui o sujeito do seu domínio e controle. “Cultura é pensamento e reflexão. Pensar é o contrário de obedecer” (Escola de Frankfurt).

Se Stephenie Meyer usasse seus predicativos literários para escrever obras mais profundas e menos imaginativas, teríamos uma Literatura que cumpriria melhor o papel de transformar a sociedade.

Não é crítica ferrenha, pois iniciar, aguçar a leitura com obras menos densas, como Crepúsculo, pode ser uma boa. Entretanto, ficar lendo a vida inteira obras vampirescas, lobisomens e afins, só faz o homem fugir da sua realidade e ficar pensando se existe ou não vampiros, quando deveria pensar numa forma de fazer uma sociedade melhor. Quando homens-vampiros sugam o sangue de outros, e sangue verdadeiro, em assassinatos e desrespeito à vida, alimentados pela carnificina de drogas e afins; que a Literatura seja um paliativo para tal situação.