Capinando meu blog e revisitando alguns arquivos meus achei alguns textos jornalísticos escritos ainda no período da graduação e que serão publicados a partir de agora, até mesmo numa tentativa de um novo formato para esse espaço, qual seja o de fazer jus a epígrafe “Jovem Jornalista”. Quero à medida do possível, trazes novas histórias, histórias de gente de Passos e dos locais por onde tenho passado, já tenho algumas em mente bem legais.

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Pela TV sempre temos notícias de pessoas que começam relacionamentos de forma inusitada: uma noite num barzinho, a academia e até a Internet. Essa realidade de histórias que surgem a partir do contato virtual já faz parte da realidade de Passos.

Danilo Vizibeli

Você sabe como surgiu a Internet? Poucos sabem. Muitos usam. A ferramenta caiu no gosto popular. Rapidez e agilidade: características comuns da vida moderna podem ser praticadas a todo instante através de um clique.

Para entender o conceito de Internet, a rede mundial de computadores, deve-se regressar às décadas de 1960 e 1970 para compreender como ela se tornou um dos meios de comunicação mais populares. Tudo surgiu no período em que a guerra fria pairava no ar entre as duas maiores potências da época, os Estados Unidos e a ex-União Soviética.

O governo norte-americano queria desenvolver um sistema para que seus computadores militares pudessem trocar informações entre si, de uma base militar para outra e que mesmo em caso de ataque nuclear os dados fossem preservados. Seria uma tecnologia de resistência. Foi assim que surgiu então a ARPANET, o antecessor da Internet, um projeto iniciado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos que realizou então a interconexão de computadores. E assim redes foram sendo criadas. Um projeto sério e de uso governamental popularizou-se e massificou-se como forma de comunicação de toda a sociedade mundial.

Hábito brasileiro 

A presença das casas de Internet – as chamadas lan houses – confirma a mudança dos hábitos das pessoas. Os estabelecimentos demonstram o intenso acesso por pessoas das mais variadas faixas etárias e classes sociais. Pesquisas, jogos, as mais diversas atividades e ainda é possível o relacionamento. O jornalista e internauta Antônio Sérgio Silva Torres, 35 anos, natural de Nova Rezende (MG), em visita a Passos, por motivos profissionais, aproveita para conversar com os amigos e manter os contatos de trabalho. Ele se sente atualizado mesmo à distância de sua residência. “A Internet proporcionou uma maior mobilidade da vida da pessoa. Hoje podemos viajar, trabalhar fora e ainda ficar por dentro do cotidiano de nossa cidade de residência. Não sou viciado nem grande frequentador das casas de Internet, mas é uma boa saída quando preciso me atualizar e estou fora de casa”, disse o jornalista.

Existem profissões que aproximam mais as pessoas da Internet pela necessidade do trabalho, mas hoje em dia quase todos os ramos estão adotando a rede como alternativa para solução de problemas. É possível comprar, agendar compromissos pelos programas de conversa em tempo real e ainda trocar informações pelos correios eletrônicos. Surgiu ainda um meio social dentro da Internet. Muitas pessoas fazem amizades, conhecem pessoas, mas o perigo é o isolamento. “Sou uma pessoa tímida, mas procuro ter uma vida real, ou seja, conviver com pessoas, ter contato social. Mas já conheci pessoas na Internet e até desenvolvi relacionamentos mais duradouros. Porém, é preciso cuidado”, disse Antônio Sérgio.

Casamento 

A cidade de Passos não fica longe das estimativas nacionais em que crescem o número de relacionamentos iniciados pela Internet. Existe na cidade até gente casada. É o caso de Kenya e Giovani. De um site de relacionamentos para pessoas interessadas em namoro surgiu a união do casal que já vivem juntos há quatro anos. A história dos dois resultou em sucesso: construíram juntos uma casa e uniram as famílias. Mas nem sempre é assim: todo cuidado é pouco. Kenya Silvana Rodrigues Costa, 37 anos, é natural de Passos, mas morou um bom tempo em Uberlândia onde passou a infância. Mais tarde retornou à Passos, onde hoje reside e trabalha como auxiliar administrativa na tesouraria da FESP (Fundação de Ensino Superior de Passos). Giovani Verdolim de Avelar, 53 anos, é natural de Barra do Piraí (RJ), funcionário do INSS e quando conheceu Kenya pela Internet estava morando em São Paulo. “Eu já tinha passado por um outro relacionamento que não deu certo. Como sou uma pessoa tímida resolvi tentar pela Internet conhecer novas amizades. Mas estava mais com o intuito de que não fosse nada sério. Uma vez um colega meu queria encontrar uma pessoa pela Internet para se relacionar e como ele não tinha grande habilidade com computadores pediu minha ajuda. Juntos, encontramos um site de namoro. Eu resolvi me inscrever porque vi a foto de Kenya e logo de início tive o desejo de conhecê-la”, conta Giovani.

Para Kenya todos os dias quando olha para o marido não acredita que uma história tão diferente deu certo. São as evoluções do mundo moderno e da comunicação destruindo fronteiras e criando novos valores. A funcionária administrativa conheceu o site de namoro por meio da irmã. Resolveu se inscrever, mas também como uma forma de brincadeira. Passou muito tempo sem acessar a página e um dia por curiosidade resolveu verificar e existiam vários recados de Giovani. Ela também se interessou por ele e começou o contato virtual. “Tomei muito cuidado no início. Existem alguns truques que temos que ficar atentos quando se conhece alguém pela Internet. Passamos a conversar pelo telefone, ele me deu também o seu número de serviço. Mas levei um susto quando ele disse que viria a Passos. Tive a certeza então, de que ele não estava para brincadeiras”, conta com um sorriso Kenya.

Giovani estava certo do queria e resolveu realizar o desejo de conhecer a namorada virtual. Depois do primeiro encontro a certeza: pediu transferência no emprego para se casar. A história se concretizou. Kenya também já havia passado por outro relacionamento e tem três filhos com o primeiro marido e que moram com ela. Giovani tem uma filha que mora em Belo Horizonte. “Falei com minha mãe tirei opinião com várias pessoas somente o apresentei à minha família quando tive certeza de que podia dar certo. Ele era uma pessoa mais velha, séria e comprometida. Analisei bem e mesmo assim foi difícil. Meus filhos aceitaram a idéia, mas ainda tiveram um pouco de resistência. Afinal, era uma pessoa desconhecida deles”, observa Kenya.

Universo múltiplo

Na Internet convivem diversas pessoas com características e intenções diferentes e por isso pode ser um ambiente perigoso. Para Giovani é um pouco fora do comum, mas não é impossível, como aconteceu no caso deles. “As pessoas devem procurar serem felizes. E já que a Internet é um meio por que não usá-lo? Eu não tinha vida noturna, saía muito pouco, sou um pouco tímido. Acredito que tanto na Internet como num contato cara a cara podem haver más intenções. Uma pessoa pode conhecer outra na faculdade, num bar, numa academia e o relacionamento não dar certo também. É preciso conversar muito e sempre, em qualquer, situação zelar pelo respeito mútuo”, ressalta.

As vantagens da Internet é a maior liberdade de expressão. Muitas pessoas conseguem se desabafar mais, expor mais os seus sentimentos por não haver o calor da presença física. Pode ser aí que mora o perigo. A prática constante pode inibir as pessoas para os contatos sociais. Os psicólogos recomendam que a pessoa estabeleça um limite e procure manter atividades de lazer e sempre procurar relacionamentos reais. “Na Internet temos a barreira da tela do computador. Por ela muitas vezes, não vemos o olhar, não sentimos o cheiro e assim não podemos averiguar a veracidade das opiniões. No contato pessoal é um conjunto: voz, corpo, olhar, sentimentos. É preciso ficar atento a isso”, é o que afirma a terapeuta comportamental Natália Souza Borges Lopes.

Pela história do casal nota-se que o estereótipo de que a Internet atrai em maior número a juventude é contrariado. Pessoas de diversas faixas etárias e de interesses diversos usam a Internet. Conforme Natália, as pessoas que saíram de relacionamentos anteriores muitas vezes idealizam pela Internet o padrão de pessoa desejada. Ela ressalta que nem sempre esse padrão é encontrado. “Assim como na vida são pessoas em comunicação. E pessoas são pessoas. Apresentam suas diferenças, ninguém é igual ao príncipe encantado do sonho de toda mulher. O padrão idealizado pode ser contrariado. É preciso reforçar muito o convívio diário e o corpo-a-corpo para atestar os sentimentos”, destaca.

Outro perigo é também a exposição em excesso. Muitas pessoas não se intimidam em passar fotos, telefones e contatos. A exposição em excesso pode causar um desgaste na imagem e na personalidade da pessoa. “Principalmente se é uma pessoa conhecida e que tem vínculos sociais importantes. A vida da pessoa é divulgada com muita facilidade. Não se conhece quem está do outro lado. Você não abre a porta para uma pessoa desconhecida. Da mesma forma não pode colocar sua vida na mão de pessoas sem saber as intenções delas”, lembra Natália.

Um outro caso

Uma outra história um pouco diferente é a da esteticista Lúcia. Neste caso, ela foi até Belo Horizonte conhecer o pretendente, também conhecido pela Internet. Lúcia Pereira mora em Passos. Tanto ela quanto o namorado têm 44 anos. A Internet promoveu o primeiro contato. Lúcia se inscreveu num site de relacionamento. Ela queria realmente conhecer uma pessoa. “Eu não saio muito. Tenho uma vida mais caseira. Gosto de viajar, é claro, e isso ajudou a procurar uma pessoa na rede. É claro que tive muito cuidado, mas hoje me sinto realizada”, disse. Como o parceiro é funcionário público, Lúcia pediu que não fossem divulgados dados sobre ele para preservar a identidade.

O simples fato de ser diferente pode levar a uma busca pela Internet. “Gosto muito de ler, pesquisar e a Internet me proporciona tudo isso. Gostei do site e me inscrevi. Chegaram mais de 268 e-mails. Somente o do meu namorado me interessou”, conta a esteticista.

Mãe de dois filhos, frutos de um primeiro relacionamento, ela tem uma opinião formada sobre as dificuldades e perigos da Internet. “Se você está na Internet pra brincar, pra zombar com a cara das pessoas você vai encontrar isso. Mas, se você coloca, deixa claro que quer algo sério você também vai encontrar isso”, afirma. Com Lúcia a história foi um pouco mais rápida. Ela começou a “teclar” em junho de 2007 e em setembro os dois se conheceram. A esteticista considerou que o pouco tempo já havia sido suficiente para gerar confiança e ver que o parceiro era uma boa pessoa. E muitas foram as realizações: viagens, fins de semana juntos, entrosamento entre as famílias. A distância não é empecilho. “Quando vou a B.H. vou sempre aos sábados, domingos ou feriados. Durante a semana tenho meu trabalho e meus compromissos aqui em Passos. Dá pra conciliar bem”, disse Lúcia. O casal ainda não pensa em formalizar a união. Segundo Lúcia a maneira como o relacionamento está sendo desenvolvido é positiva e não há motivos para mudar. “Ser feliz é o fundamental da vida e isso basta! Estou feliz!”, declara.

Para quem tem autonomia nos sentimentos e têm uma meta de transformação de vida a Internet ajuda a acabar com a solidão. É só um meio, não deve ser uma rotina. Mas a diversão e a informalidade, também contam. Bate-papo, novas histórias, modernidade: quer teclar comigo? Ops! Ou seria, namorar? Ou ainda, casar?

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