por Danilo Vizibeli*

Estou atrasado para ir a algum compromisso e estou durante um longo bate-papo, ou melhor, estou “teclando” com uma das minhas melhores amigas no MSN. Ela me deixa esperando, não responde. Eu ponho sinal de interrogação e nada; eu toco a campainha do MSN e nada! Eis que me atraso para o compromisso e aí sim ela responde: “Dan, tô saindo! Depois a gente se fala”. E sai.

Ou então, às vezes mando um e-mail de trabalho solicitando uma entrevista a alguma fonte de minhas matérias e eis que a resposta nunca chega e então tenho que fazer uso do telefone. Sem contar quando nos deparamos com inúmeras fotos nossas que nem sabemos de onde saiu que foram postadas por amigos nossos no Facebook.

Assim aconteceu com a Global Carolina Dickman. Também a moça fora tirar foto do jeito que veio ao mundo e acabou caindo na rede!

Portanto, hoje escrevo para falar das incertezas que permeiam o mundo virtual e a vida contemporânea. Estamos cercados pela instabilidade de gestos, ações, atitudes e até sentimentos e valores. Começa-se um relacionamento pelo chat e as coisas nunca são concretas, certas, firmes. Bauman, um sociólogo polonês, do qual estou fazendo a leitura atualmente do seu “Modernidade Líquida”, usa a metáfora da liquidez para dizer de um tempo em que os sólidos foram derretidos e tudo é líquido e fluido.

Assim vejo a internet. Uma ferramenta tão evoluída, mas que não pode ter o status da confiabilidade. Tantas vezes mandamos um e-mail e por um erro inesperado ele não chega a seu destinatário mesmo sem a mensagem ter voltado ao remetente.

São incertezas que perpassam o ciberespaço. Nunca sei se a pessoa está realmente on-line, pois às vezes ela coloca “disponível” no MSN, mas está fazendo mil coisas. Ou às vezes, então, está ocupada ou ausente e eu chamo-a e ela responde. Ué, não estava ausente? Como pode responder? É assim que classifico a internet como zona de altas incertezas.

Confiemos mais no potencial humano, na imaginação, na criatividade e usemos a internet como suplemento e não como fim único. Usemos a internet para suplementar e adicionar algumas outras formas de comunicação e transmissão de dados ou obtenção de informações para que mudemos nossas vidas para melhor, mas não como um caminho único e certo para se resolver os problemas. Pois, se assim o fizermos, nunca teremos os nossos problemas e desafios resolvidos. Pois, quando acharmos que estão realmente resolvidos, eles podem reaparecer, já que é um ambiente da web incerto e o que aparenta ter dado certo, na verdade pode ser um ato falho.

*Danilo Vizibeli é jornalista, professor e mestrando em Linguística