Em plena Semana Santa, mais precisamente na quarta-feira santa, um dia em que não há comemorações muito específicas na Igreja, alguns templos realizam a Procissão do Encontro de Jesus e Maria, neste dia, outros a realizam na terça, outros deixam a quarta para as confissões, foge-me a memória agora se há alguma comemoração específica da quarta-feira santa nos cânones litúrgicos. A data não muito importa. Eu tinha aula no cursinho e fui, dei minha aula de Literatura, muito legal e resolvemos eu e a aluna Valquíria irmos comer sushi na companhia de minha amiga Gabriela.

Fomos num estabelecimento recém-inaugurado. Muito bonito o local, decoração muito bacana, arejado, com ar condicionado para os dias calourentos, um clima de muito bom gosto. Hoje vou dar uma de César Tadeu Elias ou então Mark Piassi e darei minhas alfinetadas ao tom de Ronaldo Esper, mas sem citar nomes ou locais para não prejudicar ninguém. E salve-se quem puder.

Chegamos! Não havia mesa desocupada apenas uma mesinha daquelas que não sei o nome, mais altas, onde sentam-se três pessoas. Pedimos ao garçom e também à gerente que se desocupasse uma mesa que nos avisasse. Até ai tudo bem. E o cardápio, nada! Não nos deram acesso a ele. Pedimos as bebidas, nada! Cardápio? Nada! Desocupou a mesa e o cardápio também, mas só tivemos acesso a ele porque a Gabriela intimou o garçom que nos passasse. A postos na mesa nova, a gerente falou: mudamos em breve e estamos com um número reduzido de cardápios, pois o outro espaço era menor.

Passaram-se uns 40 minutos e nada da bebida. Até que eu levantei a voz e falei para uma outra garçonete e então a bebida (refris, gente, only refris) chegou. Mas as confusões só estavam começando. A Valquíria não se arriscou no Sushi e pedimos frango xadrez e rolinhos primavera. Uma delícia a comida. A Gabi que tinha pedido rodízio – uma forma personalizada desse sistema de serviço já que as comidas não passam de mesa em mesa, mas o cliente que escolhe no cardápio o que quer comer – veio tudo errado! Enfim, o atendimento horrível. Mas para coroar a noite, eis que percebemos que não era só a nossa mesa que estava com problemas. Mesas ao redor da nossa também estavam com problemas em seus pedidos. Mas o fim da picada, foi um grupo de casais da high society pedir uma garrafa de cerveja, e o garçom colocou-a próxima ao canto da mesa, um deles cutucou com o cotovelo e a garrafa foi ao chão, apenas para incriminar o garçom. Bem, isso é a minha versão. Não sei se foi isso que aconteceu, nem posso julgar se o garçom teve culpa ou não. Mas, a cara que ele fez era de que não tinha sido ele, e as gargalhadas frenéticas do grupo condenavam. O garçom estava ali e precisava daquele trabalho. Talvez é o ganha-pão dele e ele não sabe fazer melhor.

Atendimento ruim, sim. Mas a discrição prevalece sempre: barraco nunca! Vania Piassi, especialista em etiqueta e esposa de Mark Piassi, tenho certeza que concordaria comigo. Se o atendimento está ruim, levante-se, vá embora, mas não é preciso armar escândalos. O fato serve para refletir como Passos está carente do bom atendimento, mas como as pessoas reagem diante disso sendo que poderiam ser as primeiras de forma discreta a solicitar um bom serviço. Prêmios e estímulos ao bom atendimento como o Prêmio Sucesso Empresarial criado pela FESP e Folha da Manhã, são iniciativas que podem começar a dar resultado. Mas é preciso muito mais, entender de sociedade e serviço. Entender de como servir da melhor maneira e também de como fazer jus a esse serviço. Um muito obrigado, não dói em ninguém. Um lugar bonito, uma comida fantástica, mas que precisa de leves toques na arte do bem servir e do administrar.

Danilo Vizibeli

Jornalista, Professor e Mestrando em Linguística

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