por Danilo Vizibeli*

Olá meus amigos, queridos e poucos leitores deste blog, poucos leitores mas que são pessoas profundamente marcantes em meu coração, no meu espaço de vivência nesse planeta Terra, mais precisamente em Passos (MG) e em Franca (SP), onde no momento estou estudando e por onde quer que eu possa passar. Esse post é dedicado especialmente para todos os professores do Mestrado em Linguística da UNIFRAN, principalmente à Profa. Dra. Maria Regina Momesso, que é minha orientadora e ao Prof. Dr. Juscelino Pernambuco, pelos quais eu cumprimento todo o corpo docente.

Ao falarmos de Linguagem: língua e sociedade, a aula do professor Juscelino mexeu muito com o meu ser, com a minha essência, quando ao estudar o dialogismo de Bakhtin, o professor Juscelino nos chama também para uma reflexão à vida: existir é dar respostas à vida!

É sobre Vida e também sobre Morte que vou falar nese meu texto. Com a aula do professor Juscelino, pude perceber aquilo que a minha orientadora Maria Regina vem tentando colocar em nossa mente: que fazer um mestrado não é apenas fazer um curso para ter uma boa carreira profissional e ganhar dinheiro. Fazer mestrado é refletir a vida e nos transformar completamente. É como se ao entrar no mestrado tirássemos a roupa velha na porta do banheiro e entrássemos para um novo banho, de novos conhecimentos, para adquirirmos uma nova veste, e para aqueles que fizerem bom uso dos conhecimentos, estaremos vestindo a toga nupcial, se usarmos o conhecimento adquirido em benefício do próximo e da transformação do mundo em que vivemos.

O professor Juscelino nos passou o site dele (www.professorjuscelino.com.br) e tenho acompanhado neste endereço as Análises Musicais que o professor faz semanalmente na rádio Claretiana em Batatais (SP). Percebi que analisar músicas é uma delícia e uma forma divertida de brincar com a Linguagem. Assim, hoje me arrisco a analisar “Encontros e Despedidas” de Milton Nascimento e Fernando Brant, na voz maravilhosa de Maria Rita.

Maria Rita

Eis que começa a canção:

Mande notícias do mundo de lá/ Diz quem fica/ Me dê um abraço venha me apertar/ Tô chegando/ Coisa que gosto é poder partir / Sem ter planos/ Melhor ainda é poder voltar/ Quando quero

O eu lírico do compositor em toda a canção emite vozes, numa polifinia, conjunto de vozes orquestradas em um diálogo, e emite os lugares sociais a partir dos quais fala esse eu lírico. Percebemos em “Encontros e Despedidas” que a voz marcante é a a voz da plataforma do trem, da estação, mas a voz maior é a da estação da Vida, que no jogo da antítese (oposição) está para a Morte. A vida está para a morte, assim como a morte está para a vida. Nessa primeira estrofe temos o carinho e o afago familiares, amigável, na linguagem coloquial “Tô chegando” ao invés de “Estou chegando”, “Me dê um abraço” ao invés de “Dá-me um abraço”. E a certeza da volta talvez numa crença reencarnacionista, mas sobretudo, para marcar os Encontros e Despedidas de nossa vida diária: é um filho que chega, um pai que morre, um casamento que se desfaz, um namoro que começa, um trabalho novo que se conquista.

Todos os dias é um vai-e-vem/ A vida se repete na estação/ Tem gente que chega pra ficar/ Tem gente que vai pra nunca mais/ Tem gente que vem e quer voltar/ Tem gente que vai e quer ficar/ Tem gente que veio só olhar/ Tem gente a sorrir e a chorar/ E assim, chegar e partir

Inúmeras posições do sujeito discursivo, interpelados ideologicamente no jogo parafrástico da repetição e monotonia que é a vida: “A vida se repete na estação”, a vida sempre se repete, mas é um vai e vem, a possibilidade da polissemia, do novo, do voltar, do chegar e partir.

Milton Nascimento

São só dois lados/ Da mesma viagem/ O trem que chega/ É o mesmo trem da partida/ A hora do encontro/ É também despedida

É uma mesma viagem para todos, todos são iguais, e o trem que chega, a vida, é o mesmo trem da partida, a morte, que também é vida, é transformação, pois como dizia Lavoisier: Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma! A morte também é transformação. E não tenhamos medo dela.

A plataforma dessa estação/ É a vida desse meu lugar/ É a vida desse meu lugar/ É a vida!

Com isso deixo uma marca que é preciso ter um ideal e embarcar nesse trem chamado VIDA! Metáfora melhor que a do trem para a vida e para a morte não poderia existir. Não pode faltar lenha, não pode faltar vapor, senão o trem para e é a morte; mas se colocarmos lenha na fogueira do trem, ele volta a andar. Às vezes saimos do trilho, mas com muito esforço é possível botar o trem na linha. “É a vida! Na plataforma dessa estação, é a vida desse meu lugar…” E a minha (a nossa) vida como está? E aí vem uma intertextualidade que podemos deixar para uma próxima: “E a vida, o que é o que é diga lá meu irmão? É bonita, é bonita e é bonita!” (Gonzaguinha)

*Danilo Vizibeli é jornalista, professor e mestrando em Linguística.

Fernando Brant
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