por Danilo Vizibeli*

Há alguns meses publiquei nesta minha página um texto referente ao preconceito velado, aquele que muitos têm, mas negam ter ou às vezes criam situações que o mascaram.

No dia da morte do ex vice-presidente José Alencar, eu estava conectado no Twitter, e inclusive foi por lá que fiquei sabendo da notícia, e um amigo meu, o @felipe_grilo, postou no mesmo momento um comentário defendendo a Preta Gil. Na hora achei banal e comentei com o Felipe que o José Alencar morrendo e ele preocupado com a Preta? Mas não sabia que a polêmica era maior.

Em sala de aula, meus alunos do Núcleo Dércio Andrade (Pré-Vestibular Comunitário) me contaram que o professor de Geografia, Murilo Andrade, havia comentado sobre a polêmica do deputado federal Jair Bolsonaro no CQC, programa da Band. Fui ver o vídeo que irá servir de tema de redação e debate para os alunos.

Bolsonaro participando do quadro “O Povo quer saber” (PQS) responde a perguntas de diversos populares, defendendo a época da ditadura militar, a favor de Geisel, Médici e Figueiredo e logo em seguida perguntado se tivesse um filho gay o que faria, ele responde: “nunca terei um filho gay, pois dou boa educação a meus filhos”. Como se a homossexualidade fosse questão de educação. Depois é questionado sobre o porquê é contra as cotas raciais e a resposta: “todos somos iguais. Eu nunca viajaria num avião que fosse pilotado por um cotista e nunca seria operado por um cotista”. Ao final coloca-se uma participação da Preta Gil perguntando e se o filho dele namorasse uma negra: “não vou discutir promiscuidade com você Preta pois meus filhos não freqüentam os mesmos ambientes que você”.

Conversando com uma amiga via MSN, a Margarida Venturini, daqui de Passos, ela me contou sobre uma polêmica que estava sendo divulgada sobre um time de vôlei de Araçatuba (SP), denominado Vôlei Futuro. Ao disputar uma partida da Superliga Masculina em Contagem (MG) contra o time Sada Cruzeiro, um dos jogadores – o Michael, que tem a orientação homossexual, foi alvo de preconceitos e toda vez que ele levantava a bola para fazer um saque uma gritaria enorme começava com insultos da torcida do cruzeiro.

Num outro jogo em Araçatuba, ontem, no sábado (9/4) o time Vôlei Futuro se uniu em consideração a Michael e todos os jogadores entraram em campo com uma camisa rosa, sobre o uniforme do time. A torcida empenhou bastões rosas e uma enorme faixa com os dizeres: “Vôlei Futuro contra o preconceito” foi erguida. O líbero Mário Júnior atuou com uma camisa colorida, em alusão ao movimento GLBT, e Leandro Vissoto utilizou uma proteção rosa na mão.

Temos nesses casos citados o preconceito explícito: aquele que se impõe e que é mostrado para toda a sociedade como utilitário de repressão e calúnia. O exemplo do Vôlei Futuro que já tem um nome tão bonito, indicando progresso, dias melhores amanhã, apesar que a cor rosa e os tons coloridos, como o arco íris, nem sempre transparecem a alma de um homossexual, teve seu mérito na história brasileira. Na história contra a homofobia. Ser homossexual não é ser colorido, como a expressão inglesa “gay” sugere, mas é ser sim, sensível. Os homossexuais têm uma feminilidade intrincada na alma que conseguem sentir mais do que muitos homens heterossexuais. Assim, ser machão hoje em dia tem mudado. O discurso do machismo já não tem o mesmo valor. Hoje militares, jogadores de vôlei no caso, bombeiros, mecânicos, profissões antes vista como profissões de “macho”, hoje muitos desses profissionais tem a ousadia de se libertarem e se autoafirmarem que são homossexuais. A orientação sexual é um setor da vida humana que sofre sim a influência de outros setores, e também influencia outros, mas não é o único setor. O ser humano é uma soma de várias facetas e quem somos nós para catalogar, rotular, onde certo indivíduo pode entrar e onde não pode.

O preconceito explícito é duro, é rude, mas é muito bom que ele aconteça, pois mostra ainda o atraso em que vive a sociedade brasileira. Mostra ainda o pouco espiritualizado que somos e mostra também que esta mínima parcela expõe o preconceito com atitudes hostis, mas muitos deixam-no guardado em casa e dizem não possuírem preconceitos. Que a Justiça combata os preconceitos explícitos começando a gerar reflexões naquelas pessoas que o possuem implicitamente.

* Danilo Vizibeli é jornalista, professor e mestrando em Linguística

** O texto segue com a publicação de algumas fotos do time do Vôlei Futuro creditada ao site do jornal Estadão. Disponível em:

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,apos-polemica-volei-futuro-empata-semi-da-superliga,704039,0.htm

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