Num contexto religioso a Pastora Ludmila Ferber, trazendo em sua canção excertos bíblicos, fala da necessidade de voltarmos ao Deus Maior nas horas de dificuldade.

Num contexto ideológico trago agora para nossas lembranças e para o nosso debate o contexto da guerra que estamos vivendo. Ora a guerra da catástrofe da natureza, ora a guerra a que somos submetidos perante uma tela de TV mais especificamente a TV Globo.

Guerra de valores na qual a Globo tem a liberdade de dizer que “novelas com Amor e Sexo deixam a tela quente”. Guerra de valores na qual o Pedro Bial discute quem bebeu mais na festa anterior da casa do Big Brother Brasil, ancoradouro de vestígios carnais, músculos, testosterona e ferormônios, mais nada. Ainda me flagelo e me puno pensando em porque eu não sou capaz de pegar o controle, mudar o canal e assistir programas como o Roda Viva, De frente com Gabi, programas educativos que estão abertos ao público em TVs abertas. É aí que deixamos de lutar e deixamos a guerra da Globo nos vencer: “isso é Globalização, plim plim!”

Na última trama de Sílvio de Abreu, uma cena chocante. A “prostituta” Clara assassina Saulo no motel com a faca embaixo de um travesseiro pedindo para ele pular em cima dela. Ao final, a moça curte a vida no bem bom nas Ilhas do Pacífico.

É por essas e outras que em 2011 iniciarei meu curso de Mestrado em Lingüística – uma área que escolhi por ter forte vínculo com minha área de graduação, a Comunicação Social e o Jornalismo. A prova será no dia 5 de fevereiro e mandarei notícias assim que começar o projeto, caso eu seja aprovado.

O meu projeto abarca novamente o tema da mídia na educação. Dessa vez analisarei as produções textuais de sujeitos-alunos em um blog na internet. Quero com esse projeto contribuir para a construção de um espaço democrático, espaço de desenvolvimento de valores mais sólidos e reflexões profundas para que o aluno, ainda em formação, possa ser capaz de sair dessa condição passiva a que nos submete a Rede Globo e possa ter uma ação responsiva, atitude ativa, prática comunicativa em ação.

Enquanto não reagimos e vamos deixando de lutar, a Globo faz com a gente aquilo que ela quer: vender, vender e manipular… Sou muito fã do padrão de qualidade das produções da Globo, mas ultimamente venho ficando chocado. Não sou nenhum modelo de perfeição, mas o teor sexual e o teor de deseducação nos faz sentir nojo de nós mesmos. Pois, quando vemos o BBB vemos que ali está representado o nosso país por inteiro. O país do Carnaval. Há muito que o Carnaval deixou de ser um festejo, uma folia, uma cultura popular e passou a ser consumo exacerbado de drogas, orgias e doa a quem doer. Estamos perdendo a identidade brasileira. Identidade que nos faz um povo espiritualizado, um povo afetivo, receptivo, deixamos de vivificar a Pátria do Evangelho que é o Brasil. A liberdade que temos em nosso país está fazendo com que ela se torne libertinagem quando usada em excesso.

Todo o trabalho que o Pedro Bial já realizou em benefício da comunidade brasileira com suas belas reportagens cai ao chão quando um jornalista tão gabaritado como ele se propõe a falar de “quem bebeu mais na última festa do BBB”.
Fernando Pessoa escreveu: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. O poeta não estava, com certeza, falando aqui de libertinagem, mas estava nos mostrando quando a alma não é pequena, quando os objetivos são para o bem e o belo, todo esforço se faz necessário e é bem vindo. Nessa onda de que tudo vale a pena mesmo com almas tão pequeninas, pouco elevadas e carnalizadas vamos  esquecendo de que o planeta está pedindo socorro e que as catástrofes são resultados de uma ação cruel e satânica do  homem em que alguns podem morar em palacetes construídos com o dinheiro escondido na cueca, mas muito constroem suas casas em zonas de risco por não terem um espaço próprio e condições para erguerem seus abrigos. O desmoronamento das catástrofes é paralelo a energia negativa que se acumula, das mentes vãs e do tão inferior que somos, deixando de lutar se a guerra ainda não acabou. O mal só existe porque os bons são tímidos.

 

Danilo Vizibeli

Jornalista, Professor, Escritor e Pesquisador

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