Recentemente o governo federal divulgou uma propaganda se não me engano, contra a violência à mulher e ao final o slogan padrão do governo vinha um pouco modificado, da seguinte maneira: Brasil, um país de todos e todas.

Debate dos candidatos à presidência na Rede Globo em uma quinta, véspera de eleições. O candidato José Serra abre sua apresentação no debate pronunciando: “Boa noite a todos e a todas”.

Muito me chama a atenção o pronome indefinido TODOS. Aceitamos a utilização do seu feminino quando se refere apenas a gêneros femininos, por exemplo: “Todas as mulheres do Brasil devem ser protegidas por leis”. Exclui-se aí o sexo masculino. Todos é pronome indefinido e se é indefinido, como a palavra diz, não define o sexo. Ao pronunciar: “Boa noite a todos”, homens e mulheres estão aí incluídos, daí a prolixidade de dizer boa noite a todos e todas. Assim como utilitários da palavra em geral como padres, em missas, palestrantes e tantos outros vêm fazendo uso de dupla saudação: Boa noite senhoras e senhores; Queridos irmãos e irmãs… Quando usamos a forma masculina generalizamos, e as irmãs e as senhoras estão aí incluídas também.

Percebemos nesse contexto, transformações na língua em que com a onda de machismo e a defesa pelo feminismo passa-se a incluir na língua também essa defesa, visto que ela (a língua) é arena de lutas de vozes.

Certo ou errado, meu objetivo é posicionar a gramática frente a estes acontecimentos linguageiros e mostrar talvez um rebaixamento que promovemos da nossa posição degradada de país de terceiro mundo. Fato que se comprova não mais pela língua, mas nas campanhas em que os candidatos sujaram as ruas, deixaram-nas horrorosas com tantos cavaletes espalhados por aí. E no dia da festa da democracia, no dia 3 de outubro, os locais que serviram de seção eleitoral ficaram abarrotados de papeis ao chão. Como diria Boris Casoy: Isso é uma vergonha!

Precisamos perder essa veia, essa tendência em nos colocarmos sempre em posição inferior. Precisamos deixar prevalecer coisas positivas. Só assim seremos um país de TODOS e não de Todos e Todas… Ou então continuaremos a eleger Tiriricas da vida.

Um país de todos e todas, elege Tiricas da vida. Sejamos Um país de TODOS.

DANILO VIZIBELI

Jornalista e Escritor

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