Pietá, de Michelângelo – É a Vida, assim como Mãe, que nos ampara, sábia como ela só, quando morremos na própria Vida

Em “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak, que por incrível que pareça ainda não acabei de ler, a Morte é a narradora. É ela que nos conta a história. E segundo o autor “quando a Morte conta uma história a gente tem que parar para ler”.

Mesmo ainda não terminado o livro já pude perceber que a Morte, personificada, é um ser extremamente esperto. Eu a denominaria de safadinha e danadinha. Ela fica a espreita. Se faz de passiva, não intromete na vida alheia, mas sempre que pode se faz ser notada ou tenta dar o ar de sua graça.

Por muitas vezes a Morte vai pegando corpos humanos no caminho pleno da vida terrestre. Mas o pior é quando a Morte nos pega em Vida. Muitos morrem todos os dias, no outro renascem ou não. Passam um tempo mortos e somente depois de muitos meses ou até anos renascem, revivem, sobrevivem por um bom tempo e depois morrem de novo.

A morte nos pega simplesmente porque não somos amigos da Vida. Estamos sempre vivendo fisiologicamente mas deixando de viver espiritualmente. Estamos sempre preocupando demais e muitas vezes deixando o barco correr sem admirar a bela paisagem ao redor. Temos que ser amigos da vida para que a vida nos pegue no nosso espírito. A vida é a energia do espírito. Pense um pouco comigo e relembre de algum dia que a Morte te pegou. Isso é fato um dia ou outro ela já te pegou. Seja na forma literal na perda de um parente, ou seja na forma metafórica, que aqui proponho, nas desilusões mundanas, nos ápices de inconformismo ou nas tentativas não resolvidas de explicar o inexplicável. Morrer é deixar o humano que somos estagnados para viver a matéria exterior que nos tange.

Um corpo numa tumba é totalmente povoado de vermes, de elementos decompositores. É matéria sobre matéria que se transforma, decompõe, vira química e para a terra vai. Quando morremos em vida passamos a exaltar apenas este lado material que existe em nós e deixamos de buscar o intangível que não morre nunca. Morremos porque estamos em matéria. Vivemos porque somos espíritos. Viver é engradecer-se em espírito e cultivar a rejuvenescência diária da alma. Morrer é anular-se, é ser expectador passivo de uma festa que continua a acontecer e não para nunca. Tiremos os óculos para enxergar melhor esta festa que nos convida.

Danilo Vizibeli

Jornalista

PS: Confuso? Sorry! I’m crazy! Or not!

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