A capa da Revista Veja dessa semana me inspira a escrever esse texto que vem falar sobre as diferenças, algo que tenho pensado muito ultimamente. O tema da capa é “Ser jovem e gay”.

A matéria foi muito bem trabalhada pelos jornalistas de Veja. Sobre a homossexualidade a reportagem apresenta as diferenças de se assumir gay no mundo de hoje e como era essa atitude no passado. Hoje é muito mais um ponto assumido da personalidade da pessoa e antigamente a luta por uma causa. Acabam-se então as tribos, os estereótipos e a homossexualidade passa a ser vista como uma característica e não um fenômeno. “À medida que as pessoas se educam e se informam, a tendência é que se tornem também mais intransigentes com o preconceito e encarem as questões à luz de uma visão menos dogmática”, diz a psicóloga Lulli Milman, da UERJ na reportagem.

Apesar de eu ter gostado muito da reportagem acredito que tratar a questão da homossexualidade como sendo apenas uma diferença do ser humano, tratar o homossexual como um ser diferente, é talvez explorar um vazio na própria condição humana. Somente o homossexual é um ser diferente? O hétero não é? Então quer dizer que todos os héteros são iguais? Acredito que o mundo é feito na diferença. As diversidades se complementam.

Desenvolvi um raciocínio essa semana conversando com um amigo que mostra que “somos substâncias totalmente diferentes, com propriedades totalmente diferentes”. Para que uma substância seja misturada na outra é preciso a manipulação correta, fiel de um bom químico, farmacêutico ou manipulador. Esse químico seria Deus, a espiritualidade, o cosmo superior. Ou então eu traduziria tudo isso em diálogo, debates, interpretações, pois a lei de Jesus é a caridade, o amor ao próximo, e dialogar, debater e interpretar é considerar o Outro, o Diferente, colaborar uns com os outros. Quando entre todas as propriedades diferentes dessas substâncias que somos, encontramos propriedades semelhantes, são nessas propriedades que nos encontramos e fazemos uma nova substância acontecer.

É no pouco semelhante que o ser humano se completa. Tudo em nós é diferente, mas um pouquinho de nós se parece com alguém. É difícil pensar em igualdade quando dentro da própria família temos almas completamente diferentes.

Afim de fechar essa reflexão gostaria de mostrar que dizer que o mundo é diferente, é acreditar na evolução não tecnológica e digital, mas na evolução dos corações humanos que se ajudam mutuamente uns com os outros contribuindo na insuficiência daquilo que o outro não tem, distribuindo as suficiências que temos e ora encontrando, ora desencontrando, mas sempre buscado o mesmo objetivo: ser feliz.

Texto de Danilo Vizibeli, Jornalista e futuro escritor (rs)

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